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Coluna EPIs: BS EN 388: Luvas de proteção mecânica

Gabriel Damaceno - técnico químico do Laboratório de EPI Calçados do IBTeC


Mesmo com os recentes avanços tecnológicos visando a automação dos processos, muitas áreas da indústria ainda requerem diretamente a ação humana. Tendo em vista que várias atividades oferecem risco aos trabalhadores, faz-se necessário o uso de EPIs adequados. No que diz respeito aos membros superiores, as luvas de proteção contra riscos mecânicos devem proteger as mãos do usuário contra agentes abrasivos, escoriantes, cortantes ou perfurantes, de acordo com o item F.1 da Norma Regulamentadora Nº 6 (NR-6).


Este tipo de luva, para ser certificado, deve passar por uma série de ensaios técnicos, atendendo aos requisitos estabelecidos na norma EN 388, cuja versão mais atual é a de 2016. Esta norma europeia estabelece os ensaios, os requisitos, as marcações e as informações a serem fornecidas ao usuário para as luvas de proteção contra agressões físico-mecânicas de corte, abrasão, rasgo, perfuração. Vale lembrar que esta norma só opera em conjunto com a EN 420, que por sua vez define os requisitos gerais para as luvas de proteção.


A norma EN 388 classifica as luvas de proteção mecânica em níveis de desempenho, ou seja, quanto mais resistente for a luva e quanto melhor o seu resultado em cada teste, maior será o seu nível de proteção. Ademais, todas as luvas devem ter no mínimo o nível de desempenho 1 para pelo menos uma das propriedades (abrasão, corte, rasgo e perfuração) ou nível A no teste de resistência ao corte com o equipamento TDM. É apresentado um valor específico para a classificação da luva nos níveis de desempenho para cada ensaio, sendo que para abrasão, rasgo e perfuração os níveis variam de 1 a 4, enquanto que para o teste de corte por lâmina os níveis vão de 1 a 5. Já em relação ao teste de corte com o TDM, que é realizado de acordo com a norma EN ISO 13997, o nível de desempenho da luva pode variar de A a F. Além destes ensaios já mencionados, a luva mecânica também pode conter uma proteção adicional de resistência ao impacto.


No que diz respeito aos requisitos de marcação, a luva deve conter todas as marcações aplicáveis que são exigidas pela EN 420, além de um pictograma (que consiste de um martelo) e simbologias específicas, ambos definidos pela EN 388. O pictograma deve vir acompanhado dos níveis de desempenho de cada ensaio. A primeira simbologia abaixo do pictograma corresponde ao ensaio de abrasão, a segunda ao corte com lâmina, a terceira ao rasgamento, a quarta ao ensaio de perfuração e a quinta (uma letra) corresponde ao ensaio de corte TDM. Caso a luva tenha proteção adicional contra o impacto, a simbologia “P” deve estar presente também.


Com base na norma em questão e em seus ensaios e requisitos, é possível seguir um padrão eficiente para a certificação das mais diversas luvas de proteção mecânica. Deve-se, portanto, ficar atento aos níveis de desempenho de cada propriedade da luva, que variam conforme o material com que é fabricada, a fim de escolher as luvas mais adequadas à atividade que será realizada e garantindo uma proteção eficiente às mãos do usuário.