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Um ano de perda significativa de empregos


De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) o número de empregos diretos gerados nas indústrias calçadistas deve cair dos 269 mil registrados no final de 2019, para 212 mil, numa estimativa de redução de 57 mil postos de trabalho até o final de 2020. No dia 14 do último mês de maio, durante a palestra Análise de Cenários promovida pela entidade para projetar o futuro da economia do setor, o doutor em Economia Marcos Lelis cogitou redução de 30% da produção do setor em função dos impactos da pandemia do novo coranavirus. Já no âmbito mundial, a projeção de Marcos é de que o tombo da economia será de 3% este ano. Os países mais afetados pela pandemia, como EUA (-5,9%) e os países da Zona do Euro (-7,5%) terão perdas mais expressivas. A queda total para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deverá ficar na ordem de 5,3%, segundo o economista, entre 2015 e 2016 o Brasil teve uma queda de 7% na economia, com recuperação de apenas 1%. “Ou seja, não nos recuperamos de uma crise e estamos caindo em outra”, reforça.


A coordenadora de Inteligência de Mercado da Abicalçados, Priscila Linck, relatou a situação das indústrias de calçados. A expectativa, segundo ela, é de que o ano feche com queda entre 21% a 30% em relação aos resultados de 2019, o que representará diminuição de produção entre 191 milhões a 265 milhões de pares.


O presidente executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, afirmou que “assim que recebemos os primeiros sinais de que enfrentaríamos uma pandemia, criamos um comitê de crise que se reúne permanentemente na entidade”. Uma das primeiras ações do grupo foi a elaboração de uma cartilha de orientação sobre formas seguras da retomada das atividades, após a paralisação implementada no final de março. O mesmo comitê atuou junto ao movimento nacional de busca pela Medida Provisória 936 e de linhas de crédito para apoiar as indústrias.


Haroldo afirmou que a expectativa da entidade é de que a retomada da economia no setor ocorra somente a partir do último trimestre do ano e até lá as demissões nas indústrias do setor continuarão a acontecer. “Não podemos esquecer que há um delay entre o momento em que o comércio abre as portas e a retomada das vendas por parte da indústria”, comentou o dirigente. Quando a questão é a retomada das exportações, ele acredita que os resultados parecerão somente no médio de longo prazos.

Plataforma de negócios aproxima indústrias e lojistas

A Abicalçados lançou no dia 15 de junho, em parceria com 25 sindicatos calçadistas dos principais polos brasileiros, a plataforma de negócios Calçados do Brasil. A iniciativa nasce com mais de 100 marcas cadastradas, com o objetivo de que sejam conectadas a lojistas de todo o país.


Segundo o presidente Haroldo, “a plataforma é uma resposta ao processo de digitalização cada vez maior da economia brasileira, que já vinha ocorrendo. As restrições de contato físico impostas pela pandemia fizeram com que este movimento fosse turbinado”, afirma o executivo.


Calçados do Brasil é uma plataforma gratuita para os associados da Abicalçados, e para os lojistas. Para manter a plataforma sempre atualizada, o perfil de cada marca fica linkado ao seu Instagram. O site funciona como um guia de compras virtual voltado ao B2B, no qual lojistas poderão buscar produtos por filtros específicos, como gênero, material, tipo de uso, preços, local de produção, se oferece pronta-entrega, entre outros, 24 horas por dia, sete dias por semana. “A plataforma deverá otimizar buscas e aproximar os dois elos da cadeia”, acrescenta.

Indústrias gaúchas se conectam a lojistas de todo o Brasil

Lançado no início de 2020 como uma solução para conectar fabricantes de calçados do Rio Grande do Sul com lojistas de todo o Brasil, o Projeto Sapatos do Sul ganha relevância neste momento de busca por soluções digitais. Idealizado em 2019, quando não havia qualquer sinal de que o mundo sofreria contingenciamento de liberdade de ir e vir, a ferramenta que já está pronta ganha espaço pela agilidade que oferece a lojistas e fabricantes de calçados e artefatos. Sapatos do Sul é uma plataforma de marketplace coletiva, onde empresas de todos os portes podem cadastrar seus produtos, e fazer a venda diretamente aos lojistas. A proposta do projeto é oferecer ao comprador a possibilidade de visualizar diversos modelos de uma só vez, simplificando o processo de compra e oferecendo para as empresas participantes do projeto a possibilidade de expor seus produtos de maneira mais competitiva.


Com capacidade para até 50 fabricantes, a plataforma possibilita a publicação de até dez modelos por fabricante, com descrição completa do produto e todas as combinações de cores e materiais possíveis, possibilitando que o lojista visualize o portfolio como se fosse um catálogo virtual. A limitação do número de modelos que podem ser mostrados na plataforma tem um motivo - a proposta é que os visitantes não se atenham a um único fabricante. A secretária executiva do projeto, Fabiane Sudekun, explica que a plataforma oferece o link para o catálogo virtual dos fabricantes com todos os seus modelos, além de disponibilizar os links para o site e para todas as redes sociais de cada fabricante.


A solução, desenvolvida pelo sindicato das Indústrias de Calçados de Novo Hamburgo tem parceria do Sindicato da Indústria de Calçados de Três Coroas, Sindicato da Indústria de Calçados de Igrejinha, Sindicato da Indústria de Calçados do Rio Grande do Sul e Sindicato da Indústria de Artefatos de Couro de Novo Hamburgo. O projeto tem apoio financeiro da Confederação Nacional da Indústria - CNI, através de edital nacional apoiado pela FIERGS. A conexão inicial com os lojistas é feita através de um mailing qualificado, cedido pela Merkator Feiras, com aproximadamente 10 mil CNPJ.

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