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Engenharia Invisível

A parte fundamental do calçado que transforma conhecimento em proteção, performance, saúde e bem-estar


Luis Vieira


Na parte interna do calçado, que não fica aparente durante o uso, estão diversas tecnologias fundamentais para o calce e a performance. Neste universo praticamente invisível a relação entre o forro e a palmilha desempenha um papel crucial na proteção, performance, saúde e bem-estar do usuário. A escolha dos materiais corretos é essencial para que esses componentes ofereçam propriedades necessárias, como absorção de suor e de impacto, regulagem da temperatura interna do calçado e estabilidade do pé ao caminhar, por exemplo, sendo que algumas dessas propriedades dependem também de outros materiais e componentes para atingirem os resultados finais desejados.


No que diz respeito à palmilha, é fundamental que ela seja confeccionada com materiais que possuam propriedades de absorção de suor, evitando assim o acúmulo de umidade que pode levar ao desconforto e até mesmo a problemas de saúde nos pés. Além disso, a absorção de impacto é essencial para proteger os pés e as articulações e proporcionar maior conforto ao usuário durante a caminhada ou prática esportiva.


Já o forro do calçado desempenha um papel importante na regulagem da temperatura interna, ajudando a manter os pés secos e frescos no calor e aquecidos no frio. Um forro adequado também contribui para evitar o atrito direto do pé com o material do cabedal, prevenindo o surgimento de lesões.


Nem todos os usuários têm conhecimento sobre a importância desses cuidados na escolha de seus calçados. Além disso, a falta de preparação dos atendentes nas lojas pode dificultar ainda mais a orientação correta aos consumidores. levando em consideração as necessidades específicas de cada cliente, seja uma criança cujos pés estão em fase de desenvolvimento, um atleta profissional em busca de alta performance ou um usuário comum que busca o conforto no dia a dia.


De acordo com o coordenador do Laboratório de Caracterização de Materiais do Instituto Brasileiro de Tecnologia do Couro, Calçado e Artefatos (IBTeC), Ademir de Varga, quando comparamos tipos distintos de calçados, existem diferentes exigências técnicas para que um forro seja considerado confortável.


Para um modelo esportivo de performance, por exemplo, é importante que o forro tenha boa absorção de umidade, para manter os pés secos durante a prática de atividades físicas intensas. Além disso, deve proporcionar uma boa ventilação e ser resistente ao atrito, visando a garantir o conforto e a durabilidade durante o uso.


Já um calçado infantil necessita de um forro macio e confortável, para proteger os pés sensíveis das crianças. Também é importante que o forro seja fácil de limpar, para garantir higiene e bem-estar aos pequenos.


Por fim, um calçado que tenha a finalidade do uso diário precisa ter forro confortável e respirável, facilitando os pés a se manterem frescos e secos ao longo do dia. Deve ainda ser flexível e se ajustar bem aos pés, proporcionando comodidade durante o uso prolongado.


“Com tantas propriedades a serem incorporadas, nem todos os materiais têm as características necessárias para oferecerem o resultado desejado, o que contribui para o surgimento de alguns defeitos” ressalta Ademir.


Durante os testes de controle da qualidade realizados no instituto, as principais falhas detectadas em materiais para forro são:

- Irregularidades na superfície (buracos, rachaduras, inchaços ou áreas desgastadas);

- Problemas na montagem do calçado (se o forro não foi montado corretamente, podem surgir desníveis, desalinhamentos, partes soltas ou instabilidade estrutural);

- Falhas na resistência e durabilidade (o forro deve ser resistente o suficiente para suportar o peso e pressão sobre ele, bem como durável o bastante para resistir ao desgaste ao longo do tempo);

- Problemas de respirabilidade (um forro deve proporcionar uma boa transpiração, para garantir o conforto, quanto aos parâmetros de temperatura interna no calçado);

- Falta de uniformidade na cor e textura (variações na cor, tonalidade ou textura do forro podem indicar falhas na produção ou na qualidade do material);

- Presença de substâncias tóxicas ou prejudiciais à saúde (o forro deve ser fabricado com materiais seguros e atender aos padrões de segurança e saúde estabelecidos pelas normas regulamentadoras, quanto a substâncias restritas).


“Um calçado que tenha forro com baixa qualidade pode não oferecer a devida proteção e suporte aos pés, aumentando o risco de lesões e desconforto. Materiais de qualidade inferior podem não permitir a correta respiração dos pés, favorecendo o surgimento de fungos e bactérias que causam mau odor e infecções, já o uso de materiais inadequados pode contribuir para o surgimento de problemas como rasgos, descolamento e desgaste prematuro do forro e, consequentemente, do calçado.


Outros fatores contribuem para danificar o forro e o calçado


Além dos cuidados que a indústria deve ter na fabricação do calçado, outros fatores podem contribuir para o mau funcionamento ou baixa durabilidade do produto, tais como:

- Condições inadequadas de armazenamento (locais sem ventilação, exposição à umidade, calor excessivo ou frio intenso);

- Mau uso (dobrar excessivamente e não realizar a higienização e os cuidados necessários);

- Má qualidade da mão de obra (a qualidade da mão de obra envolvida na confecção do forro dos calçados pode contribuir para o surgimento de costuras malfeitas, materiais mal cortados, entre outros);

- Falta de manutenção (deixar de ter cuidados e não realizar manutenção adequada dos calçados, como a limpeza regular, secagem correta após o uso em dias chuvosos, e a utilização de produtos específicos para a conservação do forro, podem diminuir a durabilidade do forro).


Dicas para evitar possíveis problemas


• Escolher calçados de boa qualidade: optar por marcas que investem em tecnologia e que testam seus calçados em laboratórios reconhecidos, pois esses calçados costumam ter forros com propriedades superiores e alta durabilidade.

• Prestar atenção na composição do forro: preferir materiais respiráveis e que absorvam a umidade, como o couro, tecidos, não tecidos e sintéticos que facilitem a circulação do ar. Evitar o uso de forros de materiais que possam causar alergias ou irritações na pele.

• Usar sempre calçados com tamanho adequado: calçados que se ajustam corretamente aos pés, sem apertar ou sobrar espaço. O atrito causado por calçados mal ajustados pode danificar o forro.

• Manter os pés limpos e secos: lavar e secar os pés diariamente, especialmente antes de calçar os sapatos, ajuda a prevenir o acúmulo de suor e bactérias que podem danificar o forro do calçado.

• Fazer a manutenção adequada: limpar regularmente os forros dos calçados conforme as instruções do fabricante. Evitar a higienização com o uso de máquina de lavar, pois isso pode danificá-lo.

• Alternar o uso dos calçados: não usar o mesmo par de sapatos todos os dias ajuda a dar tempo para que o forro seque completamente e evita o acúmulo de odores e bactérias.


Os cuidados com a palmilha a ser utilizada


Ao ser questionado sobre a importância para o fabricante de calçados na escolha de uma palmilha a ser usada em seus produtos, o supervisor do Laboratório de Biomecânica do IBTeC, Mestre em Biomecânica e Doutorando em Biomecânica, Eduardo Wüst, que também é coordenador da Comissão de Estudos em Conforto em Calçados (CB011) da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), responde que antes mesmo dos materiais a serem utilizados para a confecção (tanto das palmilhas de montagem quanto das internas) é preciso definir para qual finalidade o calçado será utilizado.


Tendo esta questão bem clara e determinada, aí sim deve-se buscar materiais que contemplem as demandas dos usuários. “A palmilha é uma parte muito importante do calçado, mas, não podemos pensar nela de forma totalmente isolada, pois ela fará parte de todo um conjunto de outros componentes que precisam ter uma boa relação, para a melhor qualidade de um produto”, enfatiza Eduardo.


A palmilha tem um papel importante no equilíbrio das pressões geradas na parte inferior dos pés, então cada tipo de material, a sua espessura e a sua dureza são cruciais para trazer conforto para um calçado utilizado por várias horas do dia, segurança para crianças que estão dando os seus primeiros passos ou performance para um atleta durante o uso de calçados esportivos.



Palmilhas não devem ser as mesmas para todos os tipos de calçados


Como é muito importante definir a funcionalidade do calçado e para que perfil de usuário ele vai se destinar, consequentemente as características das palmilhas usadas devem atender essas especialidades.

- Para calçados infantis destinados para crianças que ainda não caminham, o material pode ter uma maciez maior, pouca espessura e um material transpirável.

- Para uma criança maior, que já faz atividades lúdicas, pode-se colocar um pouco mais de dureza e o material deve ter uma boa resiliência.

- Para calçados de uso diário, a dureza e espessura da palmilha deve ser definida e pensada no conjunto palmilha e solado, já que design de uma sapatilha ou calçado mais social será diferente de um tênis ou sandália por exemplo.

- No caso de calçados esportivos, usados para prática de atividade física ou um esporte específico, deve-se entender se este atleta é recreacional ou nível competitivo, sendo que, para o primeiro, o ideal é que a palmilha traga conforto e segurança e, para o segundo, mais responsividade e performance.


Design de calçado é um projeto de engenharia


O técnico em calçados, estilista e general manager na empresa Designer Brands Inc/ USA, Christian Thomas, lembra que além de poder contar com materiais que tenham características de absorção de suor e de transpiração, é importante que designers, técnicos e estilistas possam ter acesso a produtos que tragam conceitos de sustentabilidade - seja pelo substrato ou em função do composto químico da superfície. Da mesma forma, o material deve trazer maciez e boa resistência à tração e mais prolongada proteção em relação à hidrólise.


Na questão da palmilha interna e da palmilha de montagem, ambas precisam estar conectadas desde o início do processo do planejamento do produto. Nada pode acontecer por acaso ou por consequência de uma ação ou projeto mal pensado.


 “Tanto a palmilha de montagem quanto a interna precisam passar por um rigoroso processo de engenharia de produto. Finalidade do produto final, características de uso, necessidades em termos de detalhamento como produto de moda. Tudo isso irá definir não somente os materiais a serem usados, mas a engenharia da construção desses. Portanto, pensar mais na engenharia é fundamental para a maior assertividade do produto final. Assim sendo, pela ordem, a engenharia vem à frente de tudo. Depois as características técnicas, as matérias-primas para benefício e ajuste do produto final. Isto posto, o design pode trabalhar na parte visual dos produtos. Jamais a ordem contrária. O design precisa adaptar-se às questões técnicas. E não o contrário”, determina Christian.


Essas preocupações, segundo o estilista, precisam ser adotadas em absolutamente todos os projetos de calçados para qualquer finalidade de uso. “Se não é feito é porque a marca não dá importância ao tema mais importante de qualquer calçado - a engenharia. Infelizmente, tem muita marca ignorando isso, como por exemplo, as de produtos populares de moda (ou modinha), que geralmente não dão a devida atenção para esses quesitos. Engenharia custa mais do que um produto desenvolvido sem essa preocupação. E em muitos casos, as marcas vendem preços e não qualidade de engenharia”, lamenta.


Ele conclui assegurando que um correto desenvolvimento de produto e uma engenharia adequada ao uso deveria ser desejo e obrigação de qualquer marca. Mas a falta desses cuidados acontece também por que o usuário em geral desconhece a engenharia do produto e busca visual, calce e preço, e nem sempre a engenharia está contemplada nesses tipos de produtos.


Consumidores e profissionais de venda recorrem a informações online


O vendedor Gustavo Moraes Gnoatto, da loja multimarcas Ophicina, localizada no Praia de Belas Shopping, em Porto Alegre/RS, avalia que hoje em dia o consumidor de calçados casuais busca mais conforto, priorizando a compra de modelos que sejam leves para o dia a dia e as marcas estão oferecendo diversas opções, desde os calçados com solados mais simples, de EVA, até opções com solas robustas. Outra preferência notada é a busca por palmilhas com tecnologia embarcada que proporcionam mais estabilidade e macies ao calce. “É o caso da palmilha Ultracush da Vans, que traz um reforço lateral e é bastante macia na parte central. Os clientes consideram essa palmilha bem estável, além de ajudar na absorção do impacto”, explana. Ele comenta que os clientes já trazem informações prévias sobre os produtos que desejam comprar, mas para aqueles que eventualmente não possuem algum conhecimento mínimo, costuma oferecer detalhes sobre os modelos. “A gente acaba sendo uma espécie de consultor de produtos”, orgulha-se ao revelar também que as informações que obtém sobre os modelos que comercializa são obtidas através de buscas realizadas por conta própria nas redes sociais ou via materiais de divulgação fornecidos pelas marcas, pois nem a loja e nem as marcas oferecem treinamento técnico sobre as propriedades oferecidas pelos produtos.


Por outro lado, na loja Oscar Calçados, do Ribeirão Shopping, em Ribeirão Preto/SP, o gestor da unidade, Geraldo de Oliveira, comenta que o nível de informação trazida pelos clientes varia muito, de um consumidor para outro. “Vários chegam na loja já informados, geralmente pelas redes sociais, e outros tantos buscam essas informações com nossos vendedores, que são treinados para transmitir as informações sobre as tecnologias embutidas nos diferentes calçados”, contextualiza.


Com décadas de experiência na rede de lojas, que conta com 177 unidades em diferentes estados brasileiros, ele conta que praticantes de corridas normalmente são consumidores bem-informados com relação as propriedades de cada modelo. Em segundo lugar está o consumidor de calçados masculinos, que normalmente já chega na loja com o modelo de calçados definido previamente. “Mas hoje em dia, todos se importam com o conforto, as matérias-primas estão muito avançadas e a maioria dos calçados apresenta alguma propriedade de conforto embutida, considera. O profissional lamenta que ainda são poucas as marcas que oferecem suporte ao ponto de venda sobre as tecnologias embarcadas e os benefícios por elas proporcionados. “Mas isso não chega a ser um problema para a nossa rede de lojas, pois o grupo tem um programa de treinamento chamado Atração, Benefício e Características, através do qual repassamos o máximo de informações que conseguimos acessar mediante os canais de divulgação das próprias marcas, bem como detalhes repassados por nossos profissionais do setor de compras que, durante a formatação dos pedidos às fábricas, costumam ter acesso aos principais diferenciais de cada produto. Tudo isso nos mune de conhecimento para podermos realizar um atendimento mais profissionalizado ao cliente para que tenha mais segurança acerca das características do produto que está adquirindo”, afirma.


O ponto de vista de consumidores

A jornalista e revisora de textos Daniela Silva de Bittencourt (37) e o bancário e músico Rogério Luis Beninca (41) são um jovem casal que pratica esportes, especialmente treinamento funcional e corrida. A reportagem os entrevistou para saber como eles se relacionam com os calçados durante as atividades físicas e muitas das suas colocações são observadas também em outros trechos desta reportagem, como os atributos desejados para os calçados e como eles percebem o atendimento no ponto de vendas ao consumidor final.


T - Quais esportes pratica e há quanto tempo?

D - Treinamento funcional desde 2020, a corrida eu pratiquei por alguns meses em 2013, depois em 2021. Mas só em abril de 2023 comecei a correr regularmente.

R - Academia há 17 anos e corrida há 11 anos.


T - Tem preferência por alguma marca e modelo específico para algumas dessas atividades esportivas? Qual?

D - No funcional, treino descalça. Para a corrida, gosto dos tênis da Asics, por terem um bom custo-benefício. Atualmente uso o modelo Novablast 3.

R - Para academia e dia a dia Olympikus, para corrida Fila e Asics. Os modelos variam. Meus modelos atuais são o KR-5 da Fila e o Novablast 3 da Asics.


T - O que motivou esta escolha?

D - Quando comecei a correr, lá em 2013, meu primeiro tênis foi um Asics Kanbarra - na época ele pareceu ser a melhor escolha entre os tênis mais em conta. Isso me fez conhecer a marca e gostar dela. Nesta retomada da corrida, senti a necessidade de usar um tênis mais apropriado, mais leve, que não pesasse para correr longas distâncias (em junho de 2024 farei minha primeira meia-maratona, 21km). Como já usava um Asics, pesquisei em resenhas de corredores quais modelos dessa marca seriam mais indicados para o meu objetivo. Dentre as opções, o Novablast foi uma das sugestões, daí tive a sorte de conseguir uma promoção dele.

R - A escolha do Olympikus foi tentativa e erro, principalmente do meu pai que comprava os tênis para mim quando criança/adolescente. Ele escolhia os mais baratos que durassem mais - mas eu sempre reclamava do ajuste no pé - até que cheguei no Olimpikus e o levei para vida. Já o Fila e o Asics foram fruto de muito assistir reviews de análise de tênis no Youtube, como treino para as maratonas. Enquanto eu corria distâncias até meias-maratonas não me preocupava muito com isso, depois quando evoluí para maratonas senti necessidade de me aprofundar em conhecimento de performance.


T - Ao comprar um calçado para a prática esportiva, quais são os atributos desejados para cada uma das modalidades?

D - Antes o principal era preço. Agora, mais consciente da importância do calçado, o principal é conforto - ser leve e ter uma boa absorção de impacto. Mas sim, o preço continua sendo um ponto importante. Em resumo: um bom desempenho que caiba no meu bolso.

R - No caso da academia e dia a dia eu uso os da Olympikus desde adolescente, pois o meu pé é alto no peito do pé e quadrado, e essa é a única marca que tem a fôrma que deixa meu pé confortável. No caso das corridas eu assisto bastante reviews na internet. Procuro buscar leveza e custo/benefício. Acredito que em termos de perfomance não faça tanta diferença assim usar um tênis que custe R$ 1.000,00 ou um de R$ 300,00/R$ 400,00, mas evito os modelos de entrada.


T - Como você comprova no ato da compra que o calçado contempla cada uma dessas necessidades?

D - Quando possível, experimento o calçado, para ver se é confortável, e pergunto para o vendedor se é indicado para a minha necessidade. Mas, na minha última compra, pesquisei muito: vi vários vídeos de corredores profissionais e amadores, li resenhas sobre o desempenho do modelo e decidi apostar na compra online mesmo. O próprio site da Asics detalha os atributos de cada modelo e para quê ele é indicado.

R - Prefiro comprar em loja porque dá para experimentar. Como eu pesquiso antes de efetuar a compra, é só questão de comprovar se tem as características que eu desejo. Comprei somente uma vez online mas deu bem certinho.


T - Costuma buscar auxílio de alguém na loja para a melhor escolha?

D - Anteriormente, sim, nas compras presenciais. Hoje, talvez eu já chegasse na loja com o modelo escolhido em mente.

R - Não.


T - Com relação ao atendimento no ponto de venda, entende que é qualificado?

D - Às vezes. Acho que depende bastante do tipo de loja, se é especializada em tênis e artigos esportivos, ou não. Mas, na maioria das vezes, acredito que sim.

R - Discordo. É bem difícil encontrar um vendedor que entende realmente a nossa necessidade, normalmente ficam nas informações básicas e com foco na venda.


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