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A sustentabilidade como estratégia para a existência dos negócios


É inegável que o avanço das atividades industriais proporciona muitos desenvolvimentos que contribuem significativamente para o conforto, a saúde e a qualidade de vida das pessoas. Mas é também fato que os sistemas de produção podem promover impactos não desejados ao meio ambiente, que por sua vez são prejudiciais à natureza e à saúde humana. De acordo com vários estudos, o ritmo acelerado da cadeia de produção e consumo já não oferece ao planeta o tempo necessário para repor os recursos extraídos pelo homem e nem se recuperar das degradações resultantes do ciclo de extração, manufatura, uso e descarte.


Uma pesquisa realizada em 2019 pela Global Footprint Network, organização parceira do Fundo Mundial da Natureza WWF, aponta que o consumo de recursos é muito mais rápido que a capacidade do Planeta Terra para se recuperar. “Nos 210 primeiros dias de 2019, a humanidade terá consumido todos os recursos naturais que o planeta consegue regenerar em um período de um ano. Isso significa que a velocidade de consumo é 74% maior do que a capacidade da Terra se regenerar”, apontou o relatório. Com base em dados como este, o Banco Mundial projeta que serão necessárias três Terras para suprir a demanda por recursos naturais em 2050, quando a população global deve chegar a 9,6 bilhões de pessoas.


Diante desse problema global os países vêm realizando várias pesquisas e discussões visando a implantação de um desenvolvimento mais sustentável. Em 2015, por exemplo, os 193 países membros da Organização das Nações Unidas (ONU) acordaram uma nova agenda para nortear suas ações. Tratam-se dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que contém 17 metas visando à preservação do meio ambiente.


Nesta busca, as empresas cumprem um papel fundamental ao repensarem a sua própria sustentabilidade com a gestão orientada para serem ao mesmo tempo economicamente viáveis, socialmente justas e ambientalmente corretas, colaborando com o desenvolvimento da sociedade, o progresso da humanidade e o equilíbrio ecológico.


O conceito da sustentabilidade aborda a maneira como se deve agir em relação à natureza - abrangendo desde o indivíduo, a comunidade até a população em escala mundial - sendo alcançado através do desenvolvimento sustentável, que por sua vez é baseado em três princípios: Social, Ambiental e Econômico, buscando satisfazer as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem suas próprias necessidades.


- Social: engloba as pessoas e suas condições de vida, como educação, saúde e lazer.


- Ambiental: se refere aos recursos naturais do planeta e a forma como eles são utilizados.


- Econômico: relacionado com a produção, distribui- ção e consumo de bens e serviços.


Quando uma empresa tem uma cultura sustentável e mostra claramente, através de seus produtos, serviços e ações, que este princípio está presente em seu dia a dia de forma consistente, não se tratando apenas de ações pontuais para vender uma imagem fabricada, ela é vista como uma organização ética. E esta é a virada de chave que o mercado tem cada vez mais buscado incentivar e valorizar.


Quando se fala de empresas sustentáveis, é importante lembrar que, na verdade, estamos falando de pessoas. Pois nenhum negócio se torna sustentável sem desenvolver a mentalidade de seus colaboradores - tanto internos quanto externos. É preciso, portanto, incentivar mudanças de atitude individuais, encorajar o desenvolvimento de ideias inovadoras e sustentáveis e mostrar de forma clara que não é só a organização, mas todos ganham com essa postura.


Tipos de Sustentabilidade


Sustentabilidade Ambiental - A sustentabilidade ambiental abrange a conservação e a manutenção do meio ambiente.


Importante notar que, para que a sustentabilidade ambiental seja efetivada, as pessoas devem estar em harmonia com o meio ambiente, para obterem melhoria na qualidade de vida. O objetivo da sustentabilidade ambiental é que os interesses das gerações futuras não estejam comprometidos pela satisfação das necessidades da geração atual.


Sustentabilidade Social - A sustentabilidade social sugere a igualdade dos indivíduos, baseado no bem-estar da população. Para isso, é necessária a participação da comunidade, com intuito de fortalecer as propostas de desenvolvimento social, acesso à educação, cultura e saúde.


Atualmente, muitas estratégias de responsabilidade social de empresas estão pautadas na sustentabilidade. Produtos e ações sustentáveis na área empresarial ganham destaque e são bem vistas pelos consumidores. Nesse caso, a empresa possui uma postura de responsabilidade com os valores ambientais e sociais, fundamentada na preservação do meio ambiente e na melhoria da qualidade de vida das pessoas.


Sustentabilidade Econômica - A sustentabilidade econômica é alicerçada em um modelo de gestão sustentável, que corresponde à capacidade de produção, de distribuição e de utilização das riquezas produzidas pelo homem, buscando uma justa distribuição de renda e a própria existência do negócio no mercado. Isso implica na gestão adequada dos recursos naturais, que objetivam o crescimento econômico, o desenvolvimento social e melhoria da distribuição de renda.


Exemplos de Sustentabilidade


As ações sustentáveis podem ser adotadas desde os indivíduos até a população em nível global:


Ações Individuais- Economia de água; - Evitar o uso de sacolas plásticas; - Consumir preferencialmente produtos biodegradáveis; - Separar o lixo para coleta seletiva; - Reaproveitamento de materiais e produtos; - Percorrer os trajetos curtos caminhando ou com o uso de bicicleta, adotar transportes coletivos ou caronas.


Ação Comunitária - Ações de moradores de uma comunidade para promover melhorias do local onde vivem e visando a melhor qualidade de vida de todos, como implantação coletiva de painéis solares, sistemas de biodigestores ou a construção de hortas comunitárias.


Ações Globais- Garantia de alimentação em longo prazo; - Preservação da biodiversidade e dos ecossistemas - Diminuição do consumo de energia de fonte não renovável; - Desenvolvimento de tecnologias que possibilitem o uso de fontes energéticas renováveis; - Aumentar nos países não industrializados a produção industrial à base de tecnologias ecologicamente viáveis; - Criação de Unidades de Conservação; - Controle da urbanização e integração entre campo e cidades menores.


Conceitos relacionados à sustentabilidade ambiental


Sustentabilidade - O conceito de desenvolvimento sustentável - entendido como o desenvolvimento que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade das futuras gerações de suprirem as suas próprias necessidades - foi concebido de modo a conciliar as reivindicações dos defensores do desenvolvimento econômico como as preocupações de setores interessados na conservação dos ecossistemas e da biodiversidade. Gestão sustentável é, portanto, a capacidade para dirigir o curso de uma empresa, comunidade ou país, através de processos que valorizam e recuperam todas as formas de capital, humano, natural e financeiro. Para um empreendimento ser considerado sustentável, é preciso que seja ecologicamente correto, economicamente viável, socialmente justo e culturalmente diverso.


Produção limpa - É uma abordagem para a produção ecoeficiente, ou seja, os fabricantes devem se preocupar desde o projeto, a seleção de matérias-primas, o processo de produção, o consumo, a reutilização, o reparo, a reciclagem até a disposição final dos produtos. Para tanto a logística reversa deve ser utilizada. As principais características de um bem produzido segundos os critérios da produção limpa são:

- Utilização de materiais não tóxicos e reutilizáveis;

- Processo limpo e com baixo consumo de energia;

- Mínima utilização de embalagens;

- Facilidade na montagem, desmontagem, conserto e reciclagem;

- Destinação final ambientalmente adequada gerida pelo fabricante.


Biodegradação - Se trata de uma característica presente nas substâncias químicas naturais, permitindo que as mesmas sejam usadas como substratos por micro-organismos, que as empregam para produzir energia e criar outras substâncias. Esse processo oferece vantagens ao meio ambiente por eliminar certos contaminantes de origem orgânica e inorgânica. Entretanto, este tratamento pode não ser efetivo se o contaminante apresentar outras substâncias, como metais pesados, que são tóxicas para os micro-organismos ou se o meio apresentar um pH extremo. Nestes casos, é necessário um tratamento prévio que ofereça condições para que as bactérias e fungos possam realizar sua função sem serem destruídos. A biodegradação destes compostos pode acontecer por duas vias - aeróbica ou anaeróbica. O couro, por exemplo, é um material natural, e diferentes organismos, como bactérias ou fungos, podem usá-lo como alimento. Ao fazerem isso, eles produzem enzimas extracelulares que degradam o couro ou partes deste. Hoje, o mercado busca materiais biodegradáveis, que diminuam o impacto ambiental quando são descartados, mas que sejam resistentes contra o ataque microbiano durante sua vida útil, para não perder o valor comercial.


Análise do ciclo de vida - A ACV é uma ferramenta que permite a quantificação das emissões ambientais ou a análise do impacto ambiental de um produto, sistema ou processo. Essa análise é feita sobre toda a “vida” do produto ou processo, desde a extração das matérias-primas, até quando o produto deixa de ter uso e é descartado como resíduo, passando por todas as etapas intermediárias (manufatura, transporte e uso). Esta ferramenta é muito utilizada para comparar o impacto ambiental de diferentes produtos com similar função e também o impacto de diferentes tipos de tratamento de resíduos, como a incineração versus aterro sanitário, por exemplo, ou ainda o impacto na natureza proporcionado por diferentes destinos para um determinado resíduo, tais como a reciclagem e a com- postagem de papel, além de analisar os impactos dos diferentes tipos de reciclagem de materiais como o plástico ou qualquer outro.


Reciclagem - A reciclagem é o termo geralmente utilizado para designar a reutilização de materiais beneficiados como matéria-prima para um novo produto com as mesmas características. As maiores vantagens da reciclagem são a minimização da utilização de fontes naturais, muitas vezes não renováveis, e a diminuição da quantidade de resíduos que necessitam de tratamento final, como aterramento, ou incineração. O conceito de reciclagem, entretanto, é aplicado apenas para os materiais que podem voltar ao estado original e ser transformados novamente em um produto igual em todas as suas características. Uma lata de alumínio, por exemplo, pode ser derretida e voltar ao estado idêntico ao que estava antes de ser beneficiada e transformada novamente em lata, preservando as suas propriedades.


Reaproveitamento - Consiste em transformar um de terminado material já beneficiado em outro. Um exemplo claro é o reaproveitamento do papel. O papel de reaproveitamento não é nada parecido com aquele que foi beneficiado pela primeira vez. Este novo papel tem cor, textura e gramatura diferente. Isto acontece devido à impossibilidade de retornar o material utilizado ao seu estado original e sim transformá-lo em uma massa que ao final do processo resulta em um novo material de características diferentes. Outro exemplo é o vidro. Mesmo que seja “derretido”, nunca será feito um outro idêntico em sua cor e dureza pois, na primeira vez em que foi manufaturado, utilizou-se de uma mistura formulada a partir da areia. No segmento da moda, um exemplo de reaproveitamento de materiais que tem crescido é a utilização de PET para o desenvolvimento de tecidos, que podem combinar ainda outros materiais na sua composição, como retalhos de algodão. Essa nova matéria-prima pode ser utilizada para várias finalidades, como a confecção de cadarços, cabedais, roupas e acessórios.


Tratamento de resíduos - Trata-se de um conjunto de métodos e operações necessárias para respeitar as legislações aplicáveis aos resíduos, desde a sua produção até o destino final com o intuito de diminuir o impacto negativo na saúde humana, assim como no ambiente. Pode consistir numa deposição final, ou um tratamento intermédio, que diminua a periculosidade dos mesmos, possibilitando a sua reutilização ou reciclagem. No setor calçadista, por exemplo, uma prática que tem sido utilizada é a transformação do couro curtido ao cromo em adubo orgânico.


Logística reversa - É a área da logística que trata do fluxo físico de produtos, embalagens ou outros materiais, do ponto de consumo ao local de origem, com o menor risco ambiental possível. Como exemplos, temos o retorno das garrafas e a coleta de lixos e resíduos recicláveis ou reaproveitáveis. Mas atualmente este é um conceito muito mais abrangente, envolvendo todos os fluxos físicos, informacionais, toda a gestão de materiais e toda a informação inerente, nos dois sentidos, direto e reverso. Esta é uma preocupação constante para as empresas e organizações públicas e privadas, tendo quatro grandes pilares de sus- tentação (conscientização dos problemas ambientais; sobrecarga dos aterros; escassez de matérias-primas e política/legislação ambiental).


Ciclo de vida fechado - No ciclo de vida fechado, os resíduos passam por processo que busca aproveitar ao máximo suas propriedades, inclusive transformando-os novamente em matérias-primas que vão reiniciar todo o processo. Um exemplo bem claro deste sistema é o das latas de alumínio, já citado no conceito Reciclagem. O alumínio é um material ideal para o ciclo fechado, pois, ao ser reciclado, torna desnecessária a extração de mais minério para a produção de uma nova lata, além de evitar a destinação desses resíduos em aterros ou lixões. Na prática, funciona assim: as latas são compradas como embalagens para produtos. Depois que seu conteúdo é consumido, elas são separadas, coletadas e prensadas, para facilitar o transporte até a usina de reciclagem. Lá, o material é fundido, para ser derretido e transformado em lingotes de alumínio. Esses lingotes são prensados e viram chapas que darão origem a novas latas, as quais receberão novos produtos e recomeçarão todo o ciclo.


Produto sustentável - Para que um produto seja considerado sustentável é necessária a realização de uma análise de todo o seu ciclo de vida, comparando o mesmo com um produto comum. O produto sustentável deve apresentar melhor desempenho ambiental ao longo de seu ciclo de vida, conferindo igual ou melhor função, qualidade e nível de satisfação do que o produto comum. Diferentemente dos produtos ecológicos, que estão mais focados no meio ambiente, os produtos sustentáveis preocupam-se com toda cadeia de produção do mesmo. Sendo assim, eles visam, além da parte ambiental, ao desenvolvimento econômico e ao social. Portanto, pode ser considerado produto sustentável aquele que é proveniente de fontes renováveis, com um processo que trate adequadamente os resíduos, que apresenta baixo consumo de água, entre outros. Ao contrário, os produtos ecológicos preocupam-se apenas com o impacto ambiental. Por exemplo, se uma empresa produz um canudo de alumínio (substituição para o de plástico), mas ainda assim consome muita energia ou água para produção, esse canudo não pode ser considerado um produto sustentável.


Mercado consumidor em ascensão


A luta pela sustentabilidade coloca o desenvolvimento industrial e o meio ambiente na mesma régua de prioridades, onde a busca pela preservação da natureza está lado a lado com a busca pelo crescimento nas vendas, a diminuição dos custos de produção e, consequentemente, a conquista de lucros maiores. Pois o chamado consumo verde - modelo no qual o consumidor busca, além de qualidade e preço justo, produtos e serviços que não prejudiquem o meio ambiente vem crescendo escalonadamente no mercado.


Um estudo realizado pela Union + Webster em 2019 e divulgado pela Federação da Indústria do Paraná (Fiep) mostra que 87% dos brasileiros já preferem comprar produtos ambientalmente corretos. 70% dos entrevistados também afirmaram que não se importam em pagar um pouco mais por isso.


Desenvolver produtos sustentáveis e implantar boas práticas em proteção ao meio ambiente, à saúde e ao bem-estar das pessoas, portanto, oportuniza à empresa não apenas melhorar a sua imagem junto a este mercado, mas potencializa o fechamento de negócios.


Segundo Augusto Machado, pesquisador no Observatório do Sistema Fiep, “os gestores industriais têm percebido que, para seus negócios perdurarem, é fundamental gerenciar os recursos de toda a sua cadeia produtiva, além de atuar de maneira transparente e responsável, gerando maior competitividade e diferenciação no mercado”, comenta.


Outro estudo realizado pelo Mercado Livre, no período de junho de 2019 e maio de 2020, o Crescimento do Consumo Sustentável online revela o aumento de 55% no número de compradores na categoria de Pro- dutos Sustentáveis da plataforma de negócios virtuais. Segundo a pesquisa, 2,5 milhões de usuários de toda a América Latina compraram produtos com proposta sustentável. No Brasil, a marca foi de 1,4 milhão de consumidores buscando este tipo de diferencial nos produtos desejados.


No período, a plataforma captou 150 mil novos compradores nesta categoria, em toda a América Latina, sendo que somente no Brasil o aumento foi de 81 mil compradores. Já o número de vendedores que oferecem produtos considerados sustentáveis no Brasil cresceu 198% entre 2017 e 2020, enquanto a quantidade de itens da categoria teve um aumento de 322%, no mesmo período. Na opinião da gerente de sustentabilidade do Mercado Livre, Laura Motta, “os números alcançados reforçam a assertividade da nossa estratégia, que tem como objetivo dar aos consumidores a oportunidade de fazer escolhas que gerem impactos socioambientais positivos”.


Consumo verde ganha força em meio à pandemia


A seção de produtos sustentáveis ganhou ainda mais fôlego diante do cenário imposto pelo coronavírus. O levantamento revelou que o total de usuários que visitaram a seção de produtos sustentáveis no Brasil duplicou no mês de maio, na comparação com o resultado de março de 2020, e que o número de compradores totais da categoria cresceu 100%, enquanto o de novos compradores avançou 130% no País. “O aumento percentual de novos compradores na vertical superou inclusive o avanço do site como um todo, o que pode ser um indicativo de que o brasileiro está mais maduro e consciente nas suas escolhas de consumo”, comenta a diretora de marketplace do Mercado Livre no Brasil, Julia Rueff.


Sustentabilidade é atestada por certificações


Criado em 2013 pela Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal) em conjunto com a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), o Origem Sustentável certifica as empresas brasileiras da cadeia produtiva do calçado que incorporam a sustentabilidade em seus processos produtivos, segundo indicadores em cinco dimensões: Econômica, Ambiental, Social, Cultural e Gestão da Sustentabilidade. As empresas que participam têm a oportunidade de alinhar seus processos a indicadores internacionalmente reconhecidos e com isso ampliam as oportunidades no mercado de exportação para países que possuem regulamentação orientada à aquisição de produtos sustentáveis, impulsionando o crescimento de toda a cadeia produtiva. Ao todo são 104 indicadores, com auditoria externa para verificar a conformidade ou não em todas as dimensões.


Segundo a gestora de Relacionamento da Assintecal, Aline Santos, na época, a sustentabilidade dentro da cadeia calçadista era compreendida de forma genérica. “As empresas trabalhavam sustentabilidade com o foco em material sustentável, mas não se atentavam ao processo que envolvia a fabricação de um produto. Buscou-se, então, uma maneira de tornar a cadeia mais sustentável, integrada e engajada”, contextualiza Aline.


Como funciona


A fase 1 contempla a Adesão ao Programa. A empresa assina um Termo de Compromisso e se prepara para solicitar a certificação.


A fase 2 se refere a Preparação e Capacitação. A entidade gestora disponibiliza o acesso a treinamentos e consultorias que ajudam a empresa a se adequar aos requisitos estabelecidos e solicitar a realização da auditoria para certificação.


A fase 3 trata da Auditoria Externa. Uma organização de ter- ceira parte credenciada verifica o cumprimento dos requisitos.


A fase 4 é concretizada com a certificação da empresa.


São quatro níveis de certificação, estabelecidos de acordo com a quantidade de indicadores atendidos, dentre eles os obrigatórios para cada nível.


* Nível Bronze: empresas com o percentual de aproveitamento maior/igual a 30% para Médias e Grandes empresas e maior/igual a 20% para Micro e Pequenas empresas, além da conformidade com todos os indicadores obrigatórios para o nível.


* Nível Prata: exige que o percentual de aproveitamento seja maior/igual a 40%, além da conformidade com todos os indicadores obrigatórios para o nível.


* Nível Ouro: exige que o percentual de aproveitamento seja maior/igual a 60%, além de estar em conformidade com todos os indicadores obrigatórios para o nível.


* Nível Diamante: o percentual de aproveitamento deve ser maior/ igual a 80%, além de estar em conformidade com todos os indicado- res obrigatórios para o nível.


Ao longo desses oito anos, várias empresas fizeram parte do processo de certificação, sendo que três já foram certificadas no nível máximo do programa. Hoje, 30 organizações estão em processo de implementação dos indicadores. Lembrando que a certificação reforça o compromisso das empresas de buscarem melhor qualificação no que se refere à sustentabilidade, melhorando o reconhecimento destas perante o mercado e a agregação de valor aos produtos, Aline reforça que, no que se refere a ESG - Governança Ambiental, Social e Corporativa, o programa está constantemente adequando seus indicadores ao que há de melhor em sustentabilidade no mundo, possibilitando assim que as empresas, e a cadeia calçadista, estejam cada vez mais alinhadas com os padrões internacionais.

A Certificação de Sustentabilidade do Couro Brasileiro (CSCB) promove e reconhece as melhores práticas dos curtumes no que tange resultados econômicos, redução de impacto ambiental e relações com colaboradores e comunidades. É apoiado pelo projeto Brazilian Leather - uma iniciativa do Centro das Indústrias de Curtumes (CICB) e da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investi- mentos (Apex-Brasil) para o incentivo à participação do couro do País no mercado externo.


O sistema reconhece como curtume sustentável aquele que desenvolve suas atividades com resultados econômicos, procurando reduzir o impacto ambiental inerente de sua atividade e proporcionando melhores condições de trabalho aos seus funcionários e respeitando a comunidade na qual a empresa está inserida. Conforme o presidente executivo do (CICB), José Fernando Bello, a certificação começou a ser construída em 2013, pela cadeia que integra a indústria de couros, em conjunto com o Sistema Brasileiro de Acreditação (SBA), o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) e a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), através de uma Comissão de Estudos Especial no âmbito do Comitê Brasileiro de Couro, Calça- dos e Artefatos de Couro (ABNT/ CB-011).


O CSCB é validado internacionalmente, por sua conexão com o Inmetro - órgão signatário do acordo de reconhecimento mútuo no âmbito do IAF (International Acreditation Forum) e do ILAC (International Laboratory Acreditation Cooperation), tratados que garantem a acreditação dos organismos certificadores mundialmente. Também tem acordo com o ICEC (o Instituto Italiano de Certificação de Qualidade para o Setor de Couros), para reconhecimento mútuo de certificações. Num comparativo com certificações internacionais de indústrias coureiras, que geralmente focam em um pilar único da sustentabilidade, o CSCB se diferencia pela busca do cresci mento dos negócios sob o ponto de vista econômico, de modo que seja positivo para as pessoas e o planeta.


Já são dois curtumes certificados Diamante e dois Ouro, e outras dez organizações estão em processo para atingir os índices nos indicadores para a certificação.


São quatro categorias a conquistar e nove princípios, que juntos somam 29 critérios a cumprir


Categorias


Selo Bronze - Mínimo de 50% dos indicadores aplicáveis atendidos nas dimensões Social, Ambiental e Econômica.


Selo Prata - Mínimo de 75% dos indicadores aplicáveis atendidos nas três dimensões.


Selo Ouro - Mínimo de 90% dos indicadores aplicáveis atendidos nas três dimensões.


Selo Diamante - 100% dos indicadores aplicáveis atendidos nas três dimensões.


Princípios

  • Princípio I - Cumprimento dos requisitos legais aplicáveis.

  • Princípio II - Rastreabilidade. Assegurar a rastreabilidade da matéria-prima ao longo da cadeia de fornecimento.

  • Princípio III - Controle de substâncias restritas. Garantir que os produtos atendam aos limites estabelecidos.

  • Princípio IV - Gerenciamento do consumo de água. Adotar medidas para racionalizar e reduzir o uso.

  • Princípio V - Gerenciamento do consumo de energia. Adotar medidas para racionalizar e reduzir o consumo.

  • Princípio VI - Processos de produção. Minimizar o impacto ambiental.

  • Princípio VII - Gerenciamento de resíduos. Minimizar a geração de resíduos perigosos ou não.

  • Princípio VIII - Tratamento de efluentes líquidos. Cumprir as regulamentações sobre os lançamentos de águas residuais, implantar programa de gestão e utilizar tecnologia adequada para minimizar os lançamentos de poluentes.

  • Princípio IX - Gerenciamento de emissões atmosféricas. Cumprir as regulamentações relativas as emissões, implantar programa de manutenção preventiva de equipamentos e utilizar tecnologia para minimizar as emissões poluentes.


Lançado em 2019 pelo Sindicato da Indústria de Calçados, Componentes para Calçados de Três Coroas (SICTC) e chancelado pelo Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos (Comitesinos), o Selo SICTC Empresa Verde é fruto do Programa Amanhã Mais Feliz iniciado no ano de 1996, alinhando as necessidades ambientais dos associados do sindicato, passando agora a abranger a sustentabilidade também de outros segmentos além do setor calçadista.


O principal objetivo é garantir que as empresas que aderem ao selo estão com a documentação em dia e cumprindo todas as obrigações legais exigidas. Mas não se limita a esse propósito, pois mobiliza os participantes em ações de sensibilização e educação ambiental através de propostas práticas, a exemplo a Semana de Meio Ambiente que lança desafios aos associados para fomentar a avaliação dos processos e buscar melhorar índices de sustentabilidade.


O Selo SICTC Empresa Verde é também um regulador dos processos para organizações que buscam uma certificação externa como por exemplo a Abvtex - que promove a erradicação do trabalho análogo ao escravo - e o Origem Sustentável, viabilizando os meios para que seus associados tenham fluidez nessas outras propostas.


A responsável técnica ambiental do SICTC, Grasiela Rutiel Huff, conta que o objetivo é relacionar que a empresa certificada obtém êxito nos processos de gestão ambiental, social e econômicos dentro de sua comunidade, ou seja, validar o correto acompanhamento e aplicação dos requisitos legais e auditáveis.


Enfatizando que as empresas associadas ao SICTC já podem participar desde o momento de sua associação, Grasiela conta que, a partir deste ano, por demanda e procura, o serviço foi também disponibilizado para empresas de outros segmentos e municípios que procuram o programa por conhecer a expertise em eficiência de gestão sustentável.


Os principais critérios que precisam ser atendidos de imediato são os ditos marcos legais, sendo eles a Licença de Operação, emitida pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luis Roessler (Fepam) ou pela Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente, conforme a legislação, atualizada; estar com o Cadastro Técnico Federal (TCFA) emitido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama); todo o resíduo sólido industrial gerado pela empresa, passível de destinação, deve ser encaminhado à mesma; depois de averiguado estes a empresa passa por uma auditoria, aplicação de checklist de forma a avaliar a adequação dos processos da empresa ao estabelecido em relação aos seus resíduos industriais, política ambiental, entre outros. As auditorias são semestrais e geram um relatório, havendo adequações ou sugestões de melhora as mesmas são elencadas neste documento e devem ser atendidas até a próxima auditoria do SICTC, cujo o corpo técnico é composto por representantes do Comitê Sinos.


Grasiela salienta que embora o selo não tenha a intenção de classificar melhores ou menos importantes marcos sustentáveis, há indicadores que são sugeridos a cada auditoria. “São propostas de melhorias ao processo de gestão ambiental da empresa, mas o selo é um só e ser parte dele é garantir que todo processo está sendo acompanhado para garantir a minimização de impactos, pontua a técnica. Desde sua readequação, em 2019, aproximadamente 75 empresas já foram certificadas, sendo que, hoje, mais de 60 empresas fazem parte do programa Selo SICTC Empresa Verde.

Com 2,8 mil empregados diretos a Usaflex atua no segmento de calçados e acessórios com foco no bem-estar e o conforto. De acordo com a gerente de Marketing, Bianca Gallas Carniel, e a analista de Gestão da Inovação, Clara de Melo Trindade, além de diversas ações voltadas à sustentabilidade, a empresa é, ainda, signatária da Rede Brasil do Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU), criada para encorajar empresas a adotarem políticas corporativas voltadas ao desenvolvimento de um mercado mais inclusivo e sustentável.


Em relação aos modelos desenvolvidos dentro da companhia, é realizado um trabalho de homologação dos fornecedores e de rastreabilidade e testes físico-químicos das matérias-primas. Além disso, utiliza materiais ecologicamente corretos, cujos resíduos gerados na linha de montagem retornam ao fornecedor, para reaproveitamento e/ou reciclagem.


Por fim, trabalha no desenvolvimento de uma linha específica de calçado ecológico, pensada em seus conceitos mais avançados, em todas as etapas. “O mercado exige mudanças no desenvolvimento de produtos responsáveis ambientalmente, economicamente, socialmente e culturalmente em toda a cadeia produtiva, e com isso impulsiona o efeito dominó de amadurecimento e investimento em relação a produtos que atendam às necessidades do planeta e do consumidor”, salienta Bianca.


Clara, por sua vez, cita alguns programas desenvolvidos pelo viés do tripé da sustentabilidade, como os projetos Inovaflex, Pé de Igualdade, TU Talento Usaflex, Programa Usaflex de Capacitação Continuada ao Colaborador (PUCCC), Saúde Financeira, Campanha de Incentivo à Educação e capacitações em todos os níveis hierárquicos da companhia sob organização do Desenvolvimento Humano e Organizacional (DHO). “Acreditamos que esse conjunto de compromissos são alicerce de um novo ambiente empresarial, agregando relações humanas e corporativas em prol da geração de impactos positivos”, comenta Clara.



Promover o desenvolvimento natural e saudável para o público de 0 a 9 anos é uma das premissas básicas da Calçados Bibi. Pioneira e líder em desenvolver produtos a partir de pesquisas e estudos científicos, produz mais de 2 milhões de pares ao ano e está presente em mais de 70 países nos cinco continentes.


É ainda a única calçadista certificada pelo Selo Diamante de Sustentabilidade, que atesta o compromisso com as iniciativas nos processos industriais, bem como o desenvolvimento de ações em sintonia com os pilares Ambiental, Econômico e Social estabelecidos pelo programa de Origem Sustentável.


Em setembro, lançou a linha de tênis Bibi Eco com grande parte dos seus componentes reciclados. O solado é fabricado em TR transparente com serragem e o cabedal produzido a partir de garrafas PET. O processo de colagem é feito com adesivo base de água, assim como em todas as linhas.


Seguro e fácil de calçar, o tênis tem um sistema de engate em ECO WPC, matéria-prima composta em 20% por cascas de arroz e tiras de PVC renovável de fibras de bambu. Tem ainda a exclusiva palmilha Fisioflex Bibi, composta por espuma ZAHO HD, que contém uma porcentagem de partículas de material reciclado e a lingueta preenchida com resíduos reaproveitados de diversos materiais gerados no processo produtivo da empresa. “É nosso papel despertar a curiosidade pela sustentabilidade e ensinar a garotada desde cedo a respeitar e cuidar do nosso planeta e do meio ambiente. Nossas ações e estratégias são norteadas dentro dos pilares sociais, ambientais, culturais e econômico. É um orgulho ver este projeto sair do papel e ir para os pés dos pequenos”, revela a diretora de Marca e Varejo, Camila Kohlrausch.


Uma das maiores varejistas de moda do mundo, a C&A é uma empresa focada em propor experiências que vão além do vestir. Entendendo a moda como um dos mais fundamentais canais de conexão das pessoas consigo mesmas, coloca os seus clientes no centro da estratégia. Atualmente, a companhia opera mais de 300 lojas em todo o território nacional, além do seu e-commerce. Com cerca de 15 mil colaboradores em todo o País e presente na vida de um milhão de clientes por dia, se destaca ainda pelas iniciativas consolidadas de governança ambiental, social e corporativa, sendo uma das empresas mais premiadas e reconhecidas internacionalmente por boas práticas de sustentabilidade em prol de uma moda com impacto positivo. Já no aspecto social, por meio do seu braço filantrópico, o Instituto C&A, atua no fortalecimento de comunidades por intermédio da moda, no voluntariado corporativo, no fomento ao empreendedorismo de grupos em maior vulnerabilidade social e ajudas humanitárias.


Recentemente, lançou a linha Mindse7 Sport + Sustentável, que alia informação de moda, t