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O que estava ruim, ficou pior

há 10 minutos
2 min de leitura

A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) repercute mais um revés na relação comercial com os Estados Unidos. Na noite de 23 de julho último, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), anunciou a cobrança de mais 12,5% para produtos de 60 economias, entre elas a brasileira. O calçado está incluso na medida, tomada após conclusão da investigação com base na Seção 301 sobre produtos importados de países com práticas de “trabalho forçado”. Com isso, o calçado nacional importado pelos Estados Unidos terá uma sobretaxa total de 37,5%.

Segundo o presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, o revés “piora o que já estava ruim”. “Na prática, teremos um adicional de mais 2,5% em relação ao cenário atual”, pontua o dirigente setorial, pois, no dia 24 de julho caiu a tarifa global de 10%, que existia anteriormente. Ele considera que a medida aumentará o diferencial tarifário entre o Brasil e países fornecedores de calçados, em especial os asiáticos Vietnã, Indonésia e Camboja. “Perderemos ainda mais mercado para esses concorrentes”, projeta. Dias antes de o anúncio do tarifaço de 25% ser concretizado, a indústria calçadista já revisava a sua projeção de queda nas exportações totais de calçados, que passou de um revés de 3,6% para 7,1%.


Medidas

Além do anunciado Plano Brasil Soberano 3, que ainda carece de regulamentações complementares, a entidade reforça a importância de outras medidas como a ampliação do Reintegra, que hoje retorna apenas 0,1% em créditos sobre produtos exportados pelo Brasil. “Há previsão legal para ampliação da alíquota até 5%, o que contribuiria para a atenuação dos impactos sobre as empresas exportadoras nesse momento de dificuldades no mercado internacional”, ressalta Haroldo.

Ao mesmo tempo, segundo o dirigente, diante da perspectiva de retração das exportações, “torna-se ainda mais urgente a adoção de salvaguardas e de outros instrumentos de defesa comercial que protejam o mercado doméstico do avanço expressivo e nocivo das importações”. Somente no primeiro semestre do ano, ingressaram no Brasil mais de 25 milhões de pares de calçados, o que representa crescimento de 15,6%, mesmo em um contexto de estagnação do mercado interno e retração da produção nacional.


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