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Setor calçadista brasileiro se destaca com mulheres nas empresas


La Femme, que conta com 65% de mulheres no quadro, faz ação de resgate da autoestima


Com mais de 33% dos cargos de liderança ocupados por mulheres, conforme dados da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) a partir da RAIS/MTE, o setor calçadista brasileiro se destaca nacionalmente quanto à participação feminina nas empresas. Vale ressaltar que a presença está acima da média nacional, que é de 25%, segundo a consultoria internacional Grant Thornton. Entretanto, ainda assim, a desigualdade de gênero é um problema antigo, mas que infelizmente continua atual. A discussão sobre esta questão é um assunto de essencial importância, e cada vez mais atravessa os mais diversos setores da sociedade.


Estas mudanças no setor não são de hoje, em 1998, a pesquisadora Maria Cristina Bruschin constatou que, na indústria calçadista, a queda do nível de emprego incidiu mais severamente sobre as mulheres; enquanto a ocupação masculina cai de 27,0% em 1985 para 26,4% em 1995, a presença das mulheres sofre declínio mais acentuado, decaindo de 12,4% em 1985 para 9,3% em 1995.


Já a distribuição de rendimentos no setor também se apresentava muito desigual: em 1995, 49% das mulheres e 33% dos homens ganhavam até dois salários mínimos, ao passo que 7,5% das mulheres e 14,7% dos homens ganhavam mais de dois a cinco salários mínimos.


Mais de 25 anos depois, o setor calçadista começa a apontar melhorias. A marca de calçados femininos, La Femme, com 12 anos de mercado, comprova as mudanças no setor, a empresa conta com 65% do quadro de funcionários composto por mulheres, tem uma preocupação genuína com a questão. “Para valorizar quem sempre está conosco, proporcionamos para algumas colaboradoras mais antigas da empresa um dia especial, ensaio fotográfico, almoço especial e outras atividades que, por mais singelas que pareçam à primeira vista, têm a importante missão de resgatar o autocuidado e ao autoamor na rotina dessas mulheres”, menciona a diretora da La Femme, Silvia Barboza.


A empresária ainda destaca a importância de não realizar distinção de cargo, salários e, principalmente, funções. “Quando pensamos em uma indústria, como é o nosso caso, associamos muito a um trabalho braçal e mais intenso, por vezes necessária força, mas, é aí que você se engana, aqui cada funcionário tem sua posição, indiferente de gênero. Quem disse que uma mulher não pode carregar uma caixa ou manusear um maquinário?”, pontua Silvia.


As diferenças se tornaram ainda mais latentes durante a pandemia. No terceiro trimestre de 2020, o Brasil registrou 8,5 milhões de mulheres a menos na força de trabalho, em comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa de participação das mulheres na força de trabalho ficou em 45%, 14% menor do que em 2019, segundo a Pnad Contínua do instituto. “A mulher precisa - e deve - ocupar o cargo que lhe é por direito. É importante ver que a presença feminina vem ganhando destaque em um setor que é mais frequentado e gerenciado por homens. Claro que, infelizmente, com a pandemia muitas mulheres perderam seus postos de trabalho, mas, em contrapartida, muitas outras começaram a empreender ou foram promovidas dentro da empresa”, destaca a empresária Silvia.