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Produção estabilizada, inovação contínua e reputação global marcam o couro brasileiro


O couro produzido no Brasil é exportado para mais de 80 países e a sua cadeia produtiva supera a soma de 240 empresas de curtimento e acabamento. Em 2024, a produção de couros pelos curtumes brasileiros somou 40,08 milhões de peças, o que significa uma elevação de 16,8% em comparação com o ano anterior. Esses dados são divulgados pelo Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), com base na Pesquisa Trimestral do Couro realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que mapeia informações sobre a quantidade de couro cru bovino adquirido e curtido pelos curtumes no País. O estudo foca em estabelecimentos que adquirem, anualmente, 5 mil ou mais unidades inteiras de couro cru bovino. Além da quantidade de couro comprado e produzido, a pesquisa coleta dados sobre o volume de couro cru recebido de terceiros para curtimento, entre outras informações.


As empresas coureiras exportam cerca de 70% de sua produção anual. Esse desempenho é considerado estável pela instituição setorial e se deve principalmente pelo relacionamento sólido estabelecido com clientes do mercado externo ao longo das décadas, estratégia que gerou uma reputação positiva sobre a capacidade de fornecimento, a sustentabilidade e a qualidade do material.


Rogério Cunha
Rogério Cunha

Valor agregado

O balanço de 2024 mostra que os couros acabados e semiacabados foram os mais exportados no ano: em valores, 57% de toda a venda ao mercado internacional foram destes dois tipos de couros. Em volume, a soma chega a cerca de 45% do total das exportações. “A comercialização majoritária de produtos de alto valor agregado é uma realidade no nosso setor há muitos anos. Os curtumes brasileiros e seus parceiros têm um histórico muito consolidado com clientes mundiais em sustentabilidade, confiança no fornecimento e alinhamento com as tendências de produção e consumo”, contextualiza o gestor de Inteligência Comercial do CICB, Rogério Cunha.

Além de se destacar pela confiança no fornecimento, fruto de uma tradição consolidada de muito trabalho, pesquisa e desenvolvimento na indústria curtidora e no comércio internacional, outro diferencial da cadeia produtiva do couro brasileiro é o compromisso crescente com sustentabilidade, com as melhores práticas ambientais, sociais e econômicas.

Soma-se a isso a forte capacidade técnica dos curtumes, que entregam produtos alinhados às tendências globais de moda, tecnologia e alto padrão de qualidade, atendendo mercados muito exigentes e dinâmicos. O Gráfico 1 demonstra os principais nichos de mercado que consomem o couro brasileiro no cenário internacional. O Gráfico 2 mostra os principais segmentos que utilizam o couro brasileiro no mercado nacional.




Do rebanho às feiras internacionais

O Brasil tem o maior rebanho comercial do mundo (cerca de 232 milhões de cabeças) garantindo disponibilidade adequada às demandas mundiais e é muito bem representado em feiras internacionais, com uma adesão expressiva de empresas expositoras. Através do projeto Brazilian Leather, uma parceria entre o CICB e a Agência de Promoção às Exportações (ApexBrasil), o couro nacional participa com destaque de feiras estratégicas mundo afora, como APLF (Hong Kong), ACLE (Xangai), Lineapelle (Milão), Lineapelle New York e Anpic (México). Em adição, as missões comerciais e rodadas de negócio promovidas pelo Brazilian Leather contribuem com os objetivos comerciais dos curtumes no mercado externo.

No escopo da comunicação, a divulgação entre importadores e curtumes brasileiros é fortemente impulsionada pelos canais de comunicação do Brazilian Leather. O projeto mantém presença ativa no Instagram e no LinkedIn, através dos quais compartilha notícias, tendências, campanhas e informações do setor. Além disso, investe na contratação de mídia em publicações internacionais especializadas, ampliando o alcance global. Por meio do chamado Projeto Imagem, convida jornalistas e influenciadores internacionais para conhecerem presencialmente a indústria. Newsletters bilíngues também desempenham papel essencial, entregando diretamente aos compradores conteúdos técnicos, dados de mercado e atualizações sobre os curtumes brasileiros.


Entre pressões externas, couro mantém a percepção de valor e autenticidade

Segundo o CICB, embora o cenário seja de estabilidade nos anos recentes, em um recorte mais amplo, de décadas, há uma redução. “O avanço de materiais sintéticos de custo mais baixo e de produção rápida tem atraído indústrias que buscam redução de custos e maior escalabilidade. Além disso, mudanças no comportamento do consumidor, com preferência por produtos de menor preço e percepção equivocada sobre impactos ambientais, influenciam essa queda”, comenta Rogério.

A sobretaxação de 50% imposta em 2025 pelo governo norte-americano a vários produtos brasileiros, dentre eles o couro e os calçados, também tem influência nas exportações do setor. Os EUA são maior consumidor de couro do mundo e ocupa a vice-liderança como destino das exportações brasileiras desse tipo de produto, principalmente no segmento de valor agregado maior, o que impacta a comercialização de couros no âmbito doméstico.

Importante destacar que, apesar do uso de materiais sintéticos por muitas indústrias ter aumentado nas últimas décadas, o couro é um material que entrega atributos únicos de durabilidade, conforto térmico, porosidade, espessura, entre outros. Ele permite que se produzam artigos que marcam a história, duram por gerações com proteção, funcionalidade e beleza. Nenhum material sintético conseguiu até hoje se aproximar das entregas proporcionadas pelo couro”, assegura o gestor Rogério Cunha.

Práticas sustentáveis lideram nas inovações

As principais e mais recentes inovações do setor coureiro brasileiro hoje estão fortemente ligadas à sustentabilidade, com destaque para os mecanismos de controle, monitoramento e conformidade de matérias-primas. O setor teve grandes avanços nos últimos anos com tecnologias que garantem transparência, comprovação de boas práticas e atenção às exigências de grandes marcas globais. Nesse contexto, o Guia CICB de Matéria-Prima tornou-se referência ao orientar curtumes e fornecedores sobre critérios de conformidade, bem-estar animal e origem responsável.

Como em todos os outros setores produtivos do planeta, a inteligência artificial está ganhando espaço na indústria do couro, facilitando processos e trazendo eficiência em várias áreas. Ela é a pauta central do próximo Fórum CICB de Sustentabilidade, que vai ocorrer no dia 4 de março, dentro da feira Fimec, em Novo Hamburgo/RS. A feira acontecerá nos pavilhões da Fenac, de 3 a 5 de março.



Ponto de vista

O setor de curtumes combina tradição industrial com uma evolução constante. Ao longo dos anos, modernizou seus processos, incorporando tecnologias avançadas, práticas mais sustentáveis e soluções inovadoras. Hoje, o segmento está cada vez mais aberto a novas possibilidades, integrando conceitos de design e atributos de moda para acompanhar e, inclusive, antecipar tendências. Esse movimento agrega ainda mais valor ao couro e aos produtos finais, ampliando sua atratividade, além de fortalecer o potencial de vendas em um cenário competitivo e dinâmico. Entrevistamos o consultor do Núcleo de Pesquisa e Design da Assintecal e coordenador do Preview do Couro do Inspiramais, Marnei Carminatti, para ele falar sobre o processo desenvolvido em parceria com o CICB que levou o designer para a linha de produção dos curtumes e com isso foram implantadas novas técnicas de trabalho explorando um universo de inovações, cujos resultados são apresentados a cada edição do projeto.


T - Como é para o designer e para o técnico o desafi o de entrar em um curtume para propor a quem já está há décadas no mercado um trabalho diferente do habitual com a aplicação de técnicas totalmente inovadoras?


M - Entrar em um curtume com uma proposta inovadora é sempre um exercício de confiança mútua. O designer chega trazendo novas linguagens, inspirações e comportamentos de consumo; o técnico carrega décadas de experiência, domínio químico e precisão industrial. A inovação real acontece quando esses dois mundos se encontram com abertura. O maior desafio inicial é romper a lógica do “sempre foi assim”. Muitos curtumes operam há anos em processos extremamente consolidados, porque precisam garantir estabilidade de produção e atendimento ao mercado. Por isso, propor algo completamente fora da curva exige diálogo, testes e sobretudo um entendimento profundo das limitações e potencialidades de cada planta fabril. Quando essa barreira inicial se dissolve, o curtume descobre que pode ousar, o designer entende melhor a matéria-prima e o técnico se vê como cocriador de um novo produto e não apenas como executor.


T - Quando aconteceu a virada de chave nos curtumes no sentido de eles perceberam que inovar seria também uma forma de se destacar no mercado e como esse trabalho foi desenvolvido ao longo dos anos até chegar a este momento?


M - Acredito que de forma mais clara a partir de 2018, quando o setor passou a compreender que competir apenas por preço já não sustentava posicionamento internacional. As demandas por sustentabilidade, rastreabilidade, certificações e diferenciação visual cresceram muito. No Preview do Couro, percebemos que esse movimento se consolidou na última década, especialmente quando o consumidor passou a valorizar autenticidade, processos artesanais e experimentações com forte apelo sensorial. Hoje, muitos curtumes já internalizaram laboratórios de experimentação, pequenas linhas-piloto e equipes dedicadas exclusivamente à pesquisa e desenvolvimento.


T - Poderia exemplificar um caso em que foi utilizada uma técnica completamente fora da curva e o resultado final foi surpreendente - tanto no aspecto visual, quanto no toque - e isso trouxe algum impacto importante para a empresa e teve repercussão a longo prazo?


M - Acredito que um dos casos mais emblemáticos está diretamente relacionado à estrutura, ao peso e à maleabilidade dos couros. Há pelo menos cinco temporadas, para acompanhar tendências globais voltadas ao conforto e à leveza, os curtumes começaram a ajustar características técnicas essenciais e a rever processos de acabamento. Materiais que antes eram exclusivos do segmento de vestuário, com estruturas extremamente macias, finas e flexíveis, passaram a ser desenvolvidos com estabilidade suficiente para calçados e acessórios. Hoje, esses couros leves e estruturados já se consolidaram como referência no mercado, representando uma mudança profunda na forma como a indústria entende performance e sensorialidade.

Quando trabalhamos com referências vindas do universo da moda, as inovações em acabamento acontecem a cada temporada. O couro funciona como uma verdadeira tela em branco: ele recebe a nova informação estética, incorpora técnicas emergentes e se transforma em artigos que traduzem os estilos e desejos do momento. Nos últimos ciclos, observamos uma forte busca por visuais clássicos, especialmente aqueles que remetem às nuances do curtimento vegetal, um dos grandes hypes atuais. Esse movimento exige que os curtumes dominem técnicas capazes de elevar produtos originalmente classificados como commodities. Muitos desses couros têm baixa classificação e demandam processos criativos, intervenções manuais e soluções completamente fora da curva para atingirem o padrão premium que o mercado demanda. Esse é o cotidiano dos curtumes brasileiros: transformar matéria-prima convencional em artigos de alto valor agregado.

É importante lembrar que, no contexto dos curtumes, a ideia de “inovação” não é um evento pontual, e sim um processo contínuo. Diferente de outros setores, em que a inovação surge como ruptura, na indústria do couro ela se manifesta como uma construção progressiva, resultado de testes constantes, ajustes de estrutura, revisões de acabamento e interpretações estéticas que acompanham cada temporada. Por isso, muitas das soluções que surgem inicialmente como experimentações não se encerram em um único ciclo. Elas evoluem, se refinam e, quando demonstram estabilidade e aceitação comercial, migram naturalmente para o portfólio permanente.

Foi exatamente o que aconteceu com os couros leves e de alta maleabilidade, que nasceram de demandas específicas ligadas ao conforto e, em poucas temporadas, se transformaram em uma nova referência de mercado. O mesmo vale para os acabamentos inspirados no curtimento vegetal, embora tenham aparecido como tendência, rapidamente se consolidaram como uma linguagem desejada, exigindo que os curtumes aperfeiçoem técnicas capazes de elevar materiais commodities ao padrão premium.

Ou seja, grande parte das inovações recentes não ficaram restritas a uma coleção. Elas se tornaram pilares estruturais das coleções seguintes, ora ampliadas, ora reinterpretadas, porque trazem valor real para as marcas e dialogam com comportamentos duradouros do consumidor. No fim, inovação para os curtumes brasileiros é isso: um fluxo contínuo em que experimentação vira método, técnica vira identidade e tendência vira portfólio.


T - Quais são os segmentos que mais absorvem os produtos elaborados com couros com propriedades inovadoras?


M – O valor estético e sensorial do material impacta diretamente o produto final. Calçados femininos e esportivos premium lideram a demanda, seguidos por bolsas e acessórios de alto valor agregado. O mobiliário contemporâneo também se destaca pela busca de leveza e toque sofisticado, enquanto a moda autoral e marcas independentes valorizam acabamentos experimentais.

Quando falamos de inovação no couro, ela raramente cabe em caixinhas rígidas como “escala” ou “exclusividade”. Curiosamente, o mercado parece querer as duas coisas ao mesmo tempo: materiais altamente diferenciados, mas disponíveis em volumes que viabilizem a coleção. Ou seja, exclusividade em produção contínua. Na prática, o que observamos é que muitos desses artigos nascem como peças exclusivas, quase experimentais, rapidamente se transformam em demandas recorrentes. O que começa como nicho, vira referência, o que é protótipo, vira portfólio. É o ciclo natural do couro e talvez a parte mais fascinante deste trabalho.


Pelos, relevos, tintas especiais e o apelo exótico: a força dos acabamentos que elevam o couro à linguagem da moda


A Courovale alia mais de três décadas de tradição coureira a uma visão de futuro baseada em inovação e responsabilidade socioambiental. Desde 1994, se dedica à produção e customização de couros com acabamentos diferenciados para calçados e acessórios, investindo continuamente em tecnologia, design e pesquisa de tendências para agregar valor às coleções de seus clientes. Esse compromisso com a evolução do setor se reflete também na gestão sustentável do processo produtivo, reconhecida internacionalmente por certificações como o selo Leather Working Group (LWG), que atesta padrões rigorosos de desempenho ambiental. Assim, a marca se consolida como parceira estratégica na construção de um segmento coureiro cada vez mais inovador, competitivo e alinhado às exigências de sustentabilidade do mercado global.

Trabalhando com couros bovinos acabados, com foco em técnicas de gravação, impressão digital, metalizados, transfers, verniz e couros com pelo, produz cerca de 45 mil m² a cada mês e embarca cerca de 60% dessa produção para os Estados Unidos e países da Ásia e da Europa. Dentre os clientes importadores, se destacam fabricantes de calçados e de acessórios, como bolsas, cintos e carteiras. No Brasil, os principais mercados compradores são as indústrias de calçados, móveis, artefatos e vestuário. “O nosso propósito é oferecer artigos diferenciados para indústrias que trabalham com moda, fazendo pesquisas constantes e oferecendo artigos dentro das tendências mundiais, além de termos opções de couros personalizados que unem tecnologia e tradição em um só produto”, considera a gerente comercial da Courovale, Veronica

Meurer.

O couro em tons dourados é um exemplo de resultado a partir da união de várias técnicas de acabamento. Desenvolvido para ser usado em calçados e acessórios, o material tem um acabamento metalizado, conferindo brilho luxuoso. Além disso, alia gravação que proporciona textura em relevo, e um trabalho de corte, com o qual se criam escamas. Todo esse trabalho resulta em um mix inusitado para a criação de uma peça com aparência única.


A OCM trabalha com couros com pelo serigrafados. Com uma produção mensal estimada em 10 mil couros mensais, exporta 70% dos seus materiais, tendo como principais mercados os EUA, a Europa e a Ásia, que transformam as matérias-primas em artigos como calçados, bolsas, cintos, vestuário, móveis e artefatos.

No Brasil, os principais mercados compradores são de calçados, móveis, artefatos e vestuário, por ordem de importância. “A OCM é uma marca que preza pela vanguarda de lançamentos e qualidade de estampas, e aproveitamento de corte nas peles. Nossos diferenciais são pensar no cliente como elo forte da nossa relação e a adoção de práticas sustentáveis de produção. Exemplo disso é a certificação LWG categoria Ouro”, comenta o CEO da empresa, Pablo Boll.

Dentre o portfólio, um dos destaques é o couro Cavalino Tricolor, uma reprodução de pele bovina natural tricolor, feita em serigrafia de altíssima definição. Oferecido essencialmente para a aplicação em calçados e bolsas, e eventualmente utilizado também em outros produtos, como cintos, este artigo em alta definição traz um ar de autenticidade à pele, mesmo sendo feita em serigrafia. “A reprodução de padrão, traz aos produtos um ótimo aproveitamento de corte na pele e escala de produção. A qualidade superior faz com o consumo seja 10% maior do que o normal nos nossos couros”, considera Pablo.

A OCM tem mais de 30 anos no mercado coureiro-calçadista e sempre primou pela transparência e relações de confiança com todos os seus públicos de interesse. “Nossa qualidade, aliada à capacidade de inovação e desenvolvimento de produtos inovadores são a tônica das nossas ações. Aliado a isso, nosso diferencial em sustentabilidade com a certificação LWG Ouro, faz com que nossos clientes não apenas comprem couros, mas verdadeiras obras de arte sustentáveis. Sendo assim, formar uma parceria comercial com a OCM é mais do que uma relação comercial, é prova de transparência, responsabilidade ambiental e ganho econômico”, conclui o executivo da marca.



Couros exóticos

O mercado de couros exóticos também mantém desempenho consistente, impulsionado pelo segmento de luxo, que é altamente exigente e disposto a pagar por materiais de excelência. A moda incorpora esses artigos em coleções autorais e de alto valor agregado. Por isso, a oferta é absorvida e a demanda permanece sólida e o Brasil tem tradição nesse fornecimento, estando presente em mostras internacionais e atendendo marcas globais de destaque no universo do luxo.

Segundo o gestor de Inteligência Comercial do CICB, Rogério Cunha, os couros exóticos estão concentrados nos números de exportações de répteis e outros animais. No total de peles de outros animais no Brasil, o setor produz em torno de 5 milhões, porém incluídos peles de ovinos, caprinos, entre outros.

Em comparação com o couro bovino, a produção é expressivamente menor. Couros de pirarucu, jacaré, python (matéria-prima importada) e avestruz são os mais utilizados. “Esses animais possuem controles rígidos de abates e exigem licenças emitidas dentro da Convenção sobre Comércio Internacional das Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (Cites). A plataforma permite que exportadores e importadores solicitem as licenças necessárias, enquanto o Ibama analisa e emite as permissões no Brasil”, explica o gestor.

Uma marca que tem apostado no uso de couro exótico em parte da sua coleção é a Ipadma. Criada em 2016, tendo como propósito desenvolver produtos sustentáveis, com design e conforto, focou a sua produção para atender as necessidades de mulheres independentes, bem resolvidas, que buscam produtos com identidade, proporcionem bem-estar durante o uso e que sejam produzidos com responsabilidade social e ambiental. “Desde a origem, sempre pensamos em criar os produtos com matérias-primas sustentáveis, e que refletissem nossa preocupação com o mínimo de desperdício e o máximo de conforto. Por isso temos muito cuidado com relação à seleção dos materiais, buscando fornecedores que também tenham compromisso com a sustentabilidade e a qualidade das matérias-primas”, contextualiza a diretora comercial da Ipadma, Sirlei Feiten.

Hoje, em torno de 10% dos produtos oferecidos pela marca são em couros exóticos (pirarucu). Esses materiais normalmente têm valor mais elevado (pode custar 14 vezes mais que o couro bovino), o que restringe bastante o perfil de consumidora. “Esse produto é muito exclusivo e atinge uma pequena parcela das consumidoras”, ressalta Sirlei. Ela explica que a motivação para escolher um material tão único veio da solicitação de clientes, que buscam algo realmente diferenciado. “Percebemos que esse couro se encaixa muito bem com nossos produtos”, comenta.

Segundo ela, alguns desafios estão relacionados ao uso desse tipo de material e um dos principais é a oferta ainda limitada do material. Essa é uma questão que não se resolve a curto prazo, pois esses animais não são criados em escala. Tem um controle muito rígido por parte do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).


Por Luís Vieira, Jornalista Responsável e Editor.


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