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Novo Hamburgo rediscute seus modelos de negócios


Nos dias 12 e 13 de novembro, aconteceu na Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo/RS o 2º Seminário de Desenvolvimento Econômico, com o objetivo de retomar e aprofundar o debate sobre novas alternativas de crescimento para a cidade. A primeira palestra ficou a cargo de Igor Drews, consultor e parceiro de negócios da StartSe, empresa que fomenta um ecossistema de startups brasileiras. Ele destacou que a nova economia traz impactos tanto para negócios já estabelecidos quanto para novas iniciativas e esse momento atual é propício para pessoas com pensamento disruptivo, que entendem as necessidades de mercado, aproveitam oportunidades e optam pela inovação. O palestrante descreveu a nova economia como um processo fundamentado em aspectos como convergência tecnológica, ferramentas baratas e acessíveis, conexão sem intermediadores, abundância de capital de risco, alteração de perfil das empresas, predisposição à mudança e o uso do processo científico no desenvolvimento do empreender.


Igor explicou que a facilitação do acesso à informação cria possibilidades e estabelece um novo modelo de concorrência. “O mundo mudou e vai mudar cada vez mais. O volume de conhecimento hoje é abundante. Mercados, empresas, produtos e empregos deixarão de existir ou mudarão drasticamente. Temos que estar preparados para isso. Eventos como este são ricos para trocarmos ideias e vermos como nos manteremos atualizados”, pontuou. O palestrante afirmou que empreendedores devem permanecer sempre adaptáveis, lembrando que o conjunto de tecnologias é capaz de modificar todo um setor. “A nova economia é um novo jeito de pensar, trabalhar, aprender e se relacionar. Existe uma substituição do trabalho tradicional dos humanos. É muita tecnologia surgindo. A inteligência artificial já faz parte do nosso dia a dia, e ela está evoluindo”, sinalizou.


Usando o exemplo de carros autônomos, Igor detalhou como as máquinas já conseguem fazer predições, por meio da coleta de dados, e enalteceu o avanço exponencial desse conhecimento a partir do compartilhamento simultâneo de informações. “Tem quem olhe como ameaça, tem quem olhe como oportunidade. O ser humano foi criado de forma linear. Gostamos da zona de conforto. A disrupção traz estresse e oportunidade ao mesmo tempo, dependendo de como vemos”, frisou o consultor, que salientou ainda que sempre haverá dinheiro para ser investido em bons projetos e pessoas com atitude.


Ao término de sua fala, enfatizou a necessidade do crescimento em cooperação. “Ninguém vai inovar sozinho. Temos que correalizar as coisas. Temos que trabalhar como um grande laboratório aberto de inovação. É toda uma região servindo de laboratório, e precisamos estar conectados a esse tipo de iniciativa. Não acho que desenvolveremos rapidamente sem colaboração”, acrescentou.


Questionado sobre a situação do segmento coureiro-calçadista dentro da nova economia, alertou que não existem soluções únicas. “Não existem trilhas ou modelos a serem copiados. Existe adaptação. A mudança é muito rápida. Temos que somar áreas totalmente inesperadas para fazer a disrupção no nosso negócio”, continuou. O consultor encerrou sua participação defendendo que o empreendedorismo se consolida como uma construção conjunta com o cliente. “É o mercado que dirá se tu desenvolverás tua ideia ou não”, apontou.

Fomento ao empreendedorismo

A segunda palestra teve como temática as mudanças comportamentais e subdividiu-se em diversos casos. Na parte da manhã, o foco foi no trabalho desenvolvido pelo Comitê de Governança Empreendedora de Novo Hamburgo (Avança). A professora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-rio-grandense (Ifsul), Daniele Gonçalves de Souza, foi mediadora. O presidente do Comitê, André da Rocha, explicou que o grupo foi criado em agosto de 2017 com o objetivo de auxiliar no desenvolvimento do empreendedorismo na cidade. Destacando que o Avança está dividido em três eixos: Educação empreendedora, Simplificação e desburocratização e Ecossistema e inovação, ele citou a frase de Madeleine Albright: “Enfrentamos o desafio de entender e governar as tecnologias do Século 21 com a mentalidade do Século 20 e instituições do Século 19”, para dar conta, segundo ele, da mistura de momentos históricos que se vive atualmente.

Educação empreendedora

Com objetivo de incentivar o empreendedorismo desde a infância até a fase adulta, o eixo educação do Avança Novo Hamburgo desenvolveu um projeto piloto de educação empreendedora na rede municipal de ensino. O trabalho foi explicado pela advogada e vice-presidente do Comitê de Jovens Empreendedores da ACI, Roberta Greenfield. Em 2019, participaram os alunos do 8º ano das escolas Martha Wartenberg, de Canudos, e Getúlio Vargas, do bairro Rincão. A proposta foi realizada em conjunto à Secretaria de Educação do município. “A ideia é que o aluno seja o protagonista do seu próprio aprendizado e que ele possa propor soluções por meio de trabalhos de iniciação científica.” Para isso, explicou, foi oferecida formação aos professores, com objetivo de ressignificar o conceito que esses profissionais tinham sobre empreendedorismo.

Simplificação e desburocratização

Angela Passos, uma das coordenadoras do Avança, apontou que o objetivo do grupo é promover conexões entre todos os atores envolvidos, a simplificação e a desburocratização para possibilitar o empreendedorismo e o desenvolvimento de Novo Hamburgo.


“Nós sabemos que já existem muitas entidades fazendo um trabalho grande e de importantes resultados na cidade. O Avança conseguiu reunir membros das principais entidades que fazem o empreendedorismo acontecer em Novo Hamburgo, incluindo o poder público”, comentou.


Integrante do eixo Ecossistema de Inovação, do Comitê de Governança Empreendedora do Avança Novo Hamburgo, do qual é coordenador, o empresário Robinson Oscar Klein explicou que um dos principais objetivos é trabalhar em um sistema de inovação aberto, com o uso de entradas e saídas intencionais de conhecimento para acelerar a inovação interna e expandir os mercados pelo uso externo da inovação.


“Uma vez que a inovação aberta é adotada, as fronteiras da organização se tornam maleáveis e isso permite combinar recursos da empresa com diferentes entes e cooperadores externos”, exemplificou.


A diferença entre inovação aberta e inovação fechada é que, no caso da inovação fechada, as ideias, invenções, pesquisas e os desenvolvimentos necessários para colocar um produto no mercado são gerados dentro da própria organização.


“No entanto, quando aplicamos o sistema de inovação aberta, a empresa pode usar recursos externos, como a tecnologia, e ao mesmo tempo disponibilizar suas próprias inovações para outras organizações”, informou.


O grupo também trabalha em ações para identificar desafios, oportunidades e diferenciais competitivos da região para o desenvolvimento de diferentes competências.


Prefeitura e Sebrae estimulam o desenvolvimento

As parcerias estratégicas para o crescimento foram apresentadas pela secretária de Desenvolvimento Econômico do município, Paraskevi Bessa-Rodrigues, no painel de abertura da tarde. O espaço foi compartilhado com o Lucas Meinhardt, representante do Sebrae Sinos, Caí e Paranhana, que falou sobre as ações da entidade com a prefeitura, voltadas aos empreendedores locais. A atividade, junto a outros dois painéis institucionais, foi mediada pelo diretor-executivo da Fundação Liberato, Ramon Hans.


Inicialmente a gestora explicou o funcionamento da pasta. “Todos os esforços são percebidos e realizados de forma transversal e integrada e impactam diretamente no desenvolvimento econômico”, assegurou.


Um vídeo institucional apresentou as ações realizadas por meio do Programa de Desenvolvimento Municipal Integrado (PDMI), projeto da prefeitura com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Dividido em três eixos: Revitalização Urbana, Prevenção à Violência e Desenvolvimento Econômico. “Todo esse esforço, de recuperar recursos perdidos e finalizar as obras em um prazo exíguo, ratifica nossa estratégia de diversificação da matriz econômica respeitado o DNA da indústria coureiro-calçadista, mas pensando na capacidade de investir em novas cadeias produtivas de valor”, pontuou.


Ela salientou que os recursos alocados pelo BID, com a aquisição de equipamentos da área audiovisual, já permitiram novas parcerias, uma delas com a Google, e também o recebimento de R$ 5,7 milhões de edital da Agência Nacional do Cinema (Ancine) para o setor. “Pretendemos capacitar professores para impactar pelo menos 40% do nosso corpo estudantil, criando novas competências e canalizando essa expertise para os setores produtivos, pensando no futuro da nossa cidade”, informou.


A desburocratização foi apresentada como outra importante vertente do desenvolvimento econômico. “Até pouco tempo atrás, nossa cidade não era muito aberta ou muito flexível para otimizar seus processos de abertura de empresa. O período, antes estimado em 480 dias, passou para uma semana para instalação de um empreendimento”, destacou. Outro compromisso da administração é a Sala do Empreendedor. O espaço, criado em parceria com o Sebrae, é um estímulo à capacitação especialmente de micro e pequenas empresas. Entre as operações de negócios, ela citou a estratégia de seleção para as principais feiras do setor calçadista: Couromoda, Fimec, Sicc, Francal, Zero Grau, Inspiramais, 40 Graus e Mercopar, nas quais houve retorno de R$ 37 para cada um real investido.


O projeto de Revitalização do Comércio de NH está entre as ações realizadas em parceria com o Sebrae. O projeto De Cara Nova trouxe a modernização da fachada e vitrines das lojas, para que os empreendimentos se tornassem mais atrativos ao público. Já o Consultorias em Gestão ofereceu mais de 3,5 mil horas de acompanhamento com média de 80 horas por empresa, trabalhando as finanças e o marketing desses estabelecimentos. E também o foco em Indicadores de Desempenho.


Conforme Lucas Meinhardt, as empresas que participaram do programa obtiveram 14% de incremento no faturamento, aumento de cinco para 13% em lucratividade e ampliação de 20% do ticket médio, ou seja, a média de gastos por cliente de R$ 148 para R$ 178.

Para finalizar, a secretária Paraskevi salientou a importância de uma nova legislação com intuito de apoiar os negócios tradicionais e as áreas que envolvem inovação e tecnologia. “Estamos trabalhando a partir das proposições federais e estaduais para customizar e atualizar uma legislação municipal para apoiar o empreendedorismo na nossa cidade.”

Programa mudou o eixo de desenvolvimento de Palhoça

No primeiro painel realizado na tarde do dia 12, a secretária municipal de Desenvolvimento Econômico de Palhoça/Santa Catarina, Anna Paula Heiderscheidt, apresentou o caso Boas práticas de inovação em âmbito municipal, compartilhando os resultados obtidos com o Inova Palhoça - Programa Municipal de Desenvolvimento Econômico pela Inovação. Ao frisar que o objetivo é mudar o eixo de desenvolvimento do município, agregando valor a sua pauta econômica, além de permitir um desenvolvimento orgânico sustentável, gerando mais e melhores oportunidades de emprego e renda para a população, ela apontou que a cidade ocupa o 12º lugar no ranking do PIB, possui uma população estimada em 171 mil habitantes, é a segunda no ranking de crescimento econômico do estado de Santa Catarina e possui como principal atividade econômica o comércio.


Anna fez um breve resgate histórico e lembrou que em 2002 de 10 pessoas que moravam no município, somente três pagavam o Imposto Predial e Territorial Urbano (Iptu). Segundo ela, Palhoça era considerada uma cidade-dormitório, as pessoas moravam ali, mas trabalhavam em Florianópolis. Ela explicou que a gestão 2002/2003 tinha uma visão do desenvolvimento econômico para mudar esse perfil.


“Pensavam que era preciso atrair mais empresas. E então, em 2006, foi criado o Programa de Fomento Econômico e de Incentivos Fiscais para Empresas do Município de Palhoça (Prodep). Em 2010, foi lançado o Instituto de Tecnologia e Inovação e começou-se a pensar em um Parque Tecnológico no bairro de Pedra Branca - bairro sustentável, berço da inovação e da tecnologia em Palhoça. Em 2015, veio o Inova Palhoça. E em 2018/2019, continua-se trabalhando com inovação, tecnologia e a desburocratização do nosso município”, contou. Segundo ela, atualmente, uma empresa consegue se instalar no município em no máximo cinco dias, tempo para expedir todos os alvarás.


A secretária relatou que foi preciso uma mudança no eixo econômico da cidade, e ancorá-lo em quatro pilares fundamentais: financiamento, incentivos econômicos, atração de investimentos e formação empreendedora, os quais são a base para atrair investidores. Dentre os programas criados, destacou o Nota Fiscal Eletrônica Palhocense. Em suma, para concorrer a prêmios ou ter desconto no IPTU, o cidadão precisa inserir o CPF na nota fiscal de qualquer serviço prestado dentro do município.


Anna falou sobre o Fundo Contábil, a partir do lançamento de edital. “É um fundo de equalização de juros para empresas que querem investir em tecnologia. A prefeitura fornece o valor a esses pequenos empreendedores para que eles possam montar o seu negócio”, explicou. Ela também destacou o Fundo de Subvenção Econômica, que abrange as pessoas físicas que tenham alguma ideia ou projeto dentro de áreas como iluminação e segurança pública, saúde ou até mesmo no turismo. Será um fundo regido pela prefeitura em parceria com as universidades, principalmente a Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), que também está localizada no bairro de Pedra Branca. Por fim, ela falou sobre o Fundo Municipal de Aval, destinado a empresas. Dentro da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, segundo a painelista, também é fornecida capacitação para empresários em parceria com o Sebrae.


O objetivo é criar, além da legislação, todo o ambiente para que o cidadão tenha estímulo para inovação, empreendedorismo e também uma boa qualidade de vida. Por fim, ressaltou que, nos anos de 2018 e 2019, se destacaram o trabalho em questões como a desburocratização e o conceito de cidade inteligente. Ela ainda comentou que o Parque Tecnológico de Palhoça é um dos mais modernos de Santa Catarina e com o melhor custo- benefício. “Florianópolis tem o maior parque tecnológico do Estado, mas o custo para se montar uma empresa é muito alto”, destacou.

Cigam e Fish TV como casos de sucesso

O segundo painel da tarde apresentou dois empreendimentos que são casos de sucesso hamburguenses: a empresa de gestão empresarial Cigam Software Empresarial e a empresa de mídia Fish TV. O presidente-executivo do Instituto Brasileiro de Tecnologia do Couro, Calçado e Artefatos (IBTeC), Paulo Ricardo Griebeler, foi o mediador.


O primeiro a falar foi o CEO da Cigam, Robinson Klein. No mercado de software de gestão empresarial desde a década de 1990, a empresa está presente em 23 unidades da Federação, com mais de 80 postos de atendimento em todo País e conta com mais de 800 colaboradores. Só em Novo Hamburgo são 250 trabalhadores. E tudo começou, segundo Klein, com a conquista do 1º Prêmio Mostratec, com um software de reconhecimento de voz, em 1985.


A Cigam começou com esse nome em 1990 e foi a terceira empresa em que Robinson empreendeu desde a experiência escolar. As outras duas não deram certo. “Isso faz parte do empreendedorismo. É preciso arriscar, tentar, tentar de novo, para que as coisas funcionem”, contextualizou. A Cigam é atualmente uma fornecedora de software de gestão empresarial (ERP, CRM, RH, BPM, Mobile e BI), com quase três décadas de experiência nessa área. Em bases instaladas de ERP (Sistema Integrado de Gestão Empresarial), é a primeira do Sul do País e está entre as cinco maiores no território nacional, com mais de cinco mil clientes. “Sempre temos algo para melhorar e com a nova economia, precisamos também inovar. Hoje, produtividade faz parte da cultura da empresa, que só se estabeleceu depois de décadas de ajustes, erros e acertos. Esta cultura se multiplica por todo sistema, pois para fazer um software completo, que agrega as melhores práticas de gestão do mercado e facilidade de uso, é necessário que seja fácil fazer o software”, frisou.

Fish TV

Logo após, o fundador da Fish TV, Luiz Motta, relatou o surgimento e crescimento da emissora. Com sede em Novo Hamburgo, o canal por assinatura, criado em 2012, possui hoje uma equipe com 72 profissionais e contabiliza mais de 11 milhões de telespectadores por mês, segundo dados referenciados ao Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope). Ao todo, são 30 programas diferentes, com mais de 5 mil episódios produzidos e apresentadores oriundos de 16 estados brasileiros. Luiz antecipou ainda que a emissora está em tratativa para estrear em 2021 sua primeira série mundial pela Netflix, ambientada na Amazônia.


O desenvolvimento da emissora iniciou após a decisão do empreendedor de, após se aposentar, dar a volta ao mundo pescando. De passagem pelos Estados Unidos, porém, precisou postergar a prática por três dias, quando um furacão atingiu a Flórida. Foi quando ele conheceu os canais de pesca que passavam na TV do hotel. A experiência fez com que, aliado ao filho Guilherme, passasse a fomentar a criação de uma emissora do nicho no Brasil. “A Fish TV é um caso de sucesso e de namoro. O DNA da pesca está na família desde sempre. Escrevi durante oito anos uma coluna sobre pescaria. Isso me fez conhecer muitas pessoas, técnicas e países. Em 2012, idealizamos um canal de pesca no Brasil. Meu filho sugeriu começarmos pela internet. Colocávamos um programa por dia. Só que a velocidade do nosso negócio foi tão rápida que entramos em uma operadora de TV a cabo no mesmo ano”, resgatou.


O mediador Paulo Griebeler lembrou que todas as experiências exitosas começam por um sonho. Ele elogiou ainda a realização do seminário e os possíveis impactos para Novo Hamburgo. “Estou há 40 anos no setor coureiro-calçadista. Novo Hamburgo tem toda a inteligência e know how na produção de calçados para diversificar os mercados de atuação. O próprio IBTeC está passando por mudanças. Hoje, a inteligência do calçado ainda está aqui, mas há espaço para inovarmos. Espero que daqui a 10 anos esta semente que estamos plantando represente a quebra de um paradigma, uma provocação que fez a cidade melhorar”, destacou.

Desenvolvimento de projetos e pessoas

O Feevale Techpark e o Hub One foram tema do painel seguinte. A condução dos trabalhos foi feita pela diretora de inovação da Universidade Feevale, Daiana de Leonço Monzon. “O ambiente de inovação em Novo Hamburgo e Campo Bom é o Feevale Techpark, que foi constituído para trabalhar com as quatro hélices que fazem com que universidade, empresa, governo e sociedade se encontrem em um único ambiente”, disse. Inaugurada primeiramente em Campo Bom, a unidade conta com 16 hectares de terra e mais de 50 empresas. Em 2011, foi lançada a unidade de Novo Hamburgo, que hoje abriga mais de 25 iniciativas.


Daiana explicou que o Feevale Techpark possui cinco áreas de atuação: indústria criativa; tecnologia da informação e comunicação; materiais e nanotecnologia; ciência da saúde e biotecnologia; e ciências ambientais e energias renováveis. E mostrou como diversas empresas se destacaram com ideias inovadoras e aproveitando nichos de mercado ainda inexplorados. São empreendedores, segundo Daiana, que nasceram dentro do Feevale Techpark e estão tirando a sua ideia do papel e transformando em negócio.


Ela falou do Garupa, que é um modelo de transporte por aplicativo aos moldes da Uber, mas com diferenciais, também ressaltou o caso da empresa Criativando - Decoração Personalizada. Segundo Daiana, eles inovaram porque ofereceram aos clientes, além da possibilidade de criar seu próprio papel de parede, fazer a venda da ideia no site da empresa. Já a Wirklich, através de uma ideia universitária, desenvolveu peças de plástico para trem, substituindo as de aço. Outro caso mencionado pela painelista é a Bhio Supply - Instrumentais e Equipamentos Médico-Hospitalares.


A diretora de inovação explicou que, atualmente, há 11 empresas pré-incubadas, 17 incubadas e 55 residentes, o que gera 500 empregos diretos. “No ano passado, tivemos um faturamento de quase R$ 100 milhões juntando todas as empresas que temos dentro das unidades”, apontou.

Hub One

Inaugurado no final de 2018, o Hub One possui capacidade para abrigar empresas intensivas em conhecimento, centros de pesquisa, organizações voltadas para o desenvolvimento científico, tecnológico e econômico e prestadores de serviços avançados. É um ambiente que possui infraestrutura para pequenas e médias empresas de base tecnológica.


Atualmente, sua estrutura contempla espaços de convivência e uso compartilhado, como salas de reuniões, auditório, escritórios administrativos e de apoio, estacionamento e um Laboratório de Criatividade, que está em fase de estruturação. Os focos e nichos são distintos: o Feevale Techpark em Campo Bom é mais voltado para a área industrial, e a unidade de Novo Hamburgo à economia criativa e TICs. “São 1600 metros quadrados divididos em 23 salas. Se vocês quiserem conhecer, por favor nos liguem ou mandem um e-mail. As portas estão todas abertas. Esse ambiente funciona 24 horas por dia, 365 dias por ano”, informou.

VALORES GERADOS PELO EMPREENDEDORISMO SOCIAL

Ao contrário da noção geral de que o sucesso de um negócio está diretamente relacionado a seu valor econômico, no empreendedorismo social outros indicadores devem ser considerados. O objetivo, afinal, vai além do lucro; busca a resolução de um problema a partir de uma inovação. O tema foi abordado pelos professores Daniele de Souza e Pedro Giehl durante a manhã do segundo dia (13).


Pesquisador de Gestão e Empreendedorismo e integrante do corpo docente da Fundação Liberato, Pedro conceituou inovação e empreendedorismo social como uma possibilidade de mudar o mundo. “Quando a crise se torna o único consenso, é retrato de que a humanidade está vivendo sua miséria. Um dos grandes desafios da atualidade é mobilizar e formar pessoas criativas e protagonistas sociais, que sejam empreendedoras e capazes de agregar valor”, iniciou.


“O empreendedor social tem foco na resolução das realidades que podem ser alteradas. Inovação social amplia a noção de valor gerado, que passa a ser não só econômico, mas também social, ambiental e cultural. A riqueza não pode mais ser medida restritamente a bens de capital, mas de bem-estar coletivo e inclusão social”, defendeu.


Professora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-rio-grandense (IFSul), Daniele instrumentalizou a construção de um projeto empreendedor e disponibilizou orientações para a abertura de uma cooperativa. “Qualquer projeto tem que ser profissional para que dê certo. E esse projeto não pode ser nosso. Temos que transformá-lo em um projeto de todos. Temos que poder sair dele, eventualmente, sem que ele deixe de existir”, explicou.

Catavida

Os ministrantes da oficina também abriram parte de seu tempo para que dois empreendedores sociais apresentassem suas experiências. Servidora da prefeitura de Novo Hamburgo, a assistente social Vera Rambo relatou o surgimento do Programa Catavida, projeto que nasceu para resolver uma situação análoga a trabalho escravo pela qual eram submetidos os catadores que trabalhavam na central de reciclagem do bairro Roselândia.


“Os catadores muitas vezes pegavam sua comida na esteira. Essa foi a triste realidade que encontramos e tivemos que enfrentar. Conseguimos colocar os catadores em sala de aula, formação necessária porque eles também tinham que fazer a reconversão da produção capitalista, quanto respondiam a um dono, para um novo cenário, no qual eles se apropriam do processo e são protagonistas, assumido realmente sua trajetória”, resgatou.


Villaget

O outro caso apresentado foi o do Instituto Villaget, iniciativa criada em 2003 como um projeto social voltado para a inclusão e capacitação profissional de jovens da Vila Getúlio Vargas, no bairro Canudos. Desenvolvedor da ideia, o designer Mário Pereira utilizou sua expertise no setor coureiro-calçadista para ensinar a modelagem de sapatos. “A Getúlio Vargas era uma vila precária, com muitas necessidades.


Nosso objetivo era jogar conhecimento para os jovens, e um ensinava para o outro. Estabeleceu-se um núcleo de capacitação profissional voltado para o calçado”, recordou. A iniciativa ganhou corpo com a criação dos tênis Villaget, utilizando resíduos de fábricas na confecção dos produtos, em trabalho realizado dentro de microempresas da região. Hoje, a marca já conta com lojas próprias em Porto Alegre e Florianópolis.

Oficina promove iniciativas focando exportação

Ainda na manhã da quarta-feira, 13, ocorreu a oficina Promoção para exportação: conhecendo as ferramentas disponíveis, ministrada por Rafaella Paulinelli, representante da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), e por Matheus de Mello, diretor da Formello Formas, empresa de Campo Bom.


Rafaella falou da vocação da Apex-Brasil como executora de políticas de promoção de exportações e investimentos em cooperação com o poder público. Conforme apontou, a missão da agência é conectar o mundo por meio dos produtos e serviços brasileiros em três frentes: promover as exportações brasileiras; atrair investimentos estrangeiros; e apoiar a internacionalização das empresas do Brasil. E é por meio da Apex que são executadas diversas ações estratégicas para promover a inserção competitiva das empresas brasileiras nas chamadas “cadeias globais de valor”, na atração de investimentos e na geração de empregos, além de apoiar empresas de pequeno porte.


Os números da agência são robustos. Em valores absolutos, as exportações das 15.737 empresas apoiadas pela Apex-Brasil, em 2018, ficaram na ordem de US$ 51,5 bilhões, o que equivale a 21,5% de tudo o que foi comercializado pelo País no exterior naquele ano. Foram exportados produtos para 233 mercados no mundo todo.


“A Apex-Brasil oferece diversos programas para qualificar as empresas brasileiras para atuação no exterior, visando assim contribuir para o aumento da competitividade por meio de ações que promovam a inovação, a sustentabilidade, o design e a qualificação para a exportação”, frisou.


O diretor da Formello Formas, Matheus Mello, contou um pouco da trajetória da empresa. A indústria, com mais de quatro décadas de experiência, é especializada no desenvolvimento e produção de fôrmas para calçados. O empresário relatou que a empresa obteve apoio para o processo de internacionalização por meio da Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal) e do programa AL-Invest 5.0, um dos mais importantes projetos de cooperação internacional da Comissão Europeia na América Latina.


E a primeira experiência com exportação começou há cinco anos, com vendas direcionadas à Colômbia. “Quando fui levar os primeiros moldes para os Correios, não tinha ideia de que havia um nível alto de exigência, digo com relação ao detalhamento nas descrições do que estava sendo exportado. Claro que foi difícil compreender todas as condições impostas, mas essa primeira venda e as dificuldades encontradas foram fundamentais para que a empresa superasse os entraves e começasse a vender ao exterior”, disse Matheus. Na sequência, a empresa começou a vender para Equador, Argentina e Bolívia.


Em 2018, a Formello exportava apenas 5% em valor de vendas. Hoje, 30% do faturamento vem da exportação. “Não houve um aumento no faturamento da empresa, o que aconteceu foi um redirecionamento de nossa produção, provocada pela crise no mercado interno. Precisávamos vender, e a exportação foi o caminho para equilibrar as contas”, explicou o empresário. “A ideia agora é esperar uma melhora no mercado interno nos próximos anos e manter, no mínimo, a atual taxa de exportação e os clientes que conquistamos no mercado internacional, para, aí sim, ter um aumento real no faturamento”, finalizou.

Soft skills são consideradas o petróleo da próxima década

As competências comportamentais e sociais são as características que definirão os profissionais de sucesso em curto prazo. Responsável pela oficina Soft Skills, o professor de pós-graduação da Instituição Evangélica de Novo Hamburgo (IENH), Fábio Catarino Serrano, apresentou detalhes sobre essas habilidades. Ele começou explicando a diferença entre soft e hard skills. “Soft é macio, leve, flexível. É aquilo que a gente tem e que não pode ser medido com certificação, prova ou coisas tangíveis, porque são habilidades humanas. É o que vai fazer a diferença. Já as hard são as nossas habilidades técnicas, mais fáceis de medir, pesar e controlar”, diferenciou.


Ele fez uma provocação aos presentes ao informar que 2 bilhões de empregos vão deixar de existir até 2030. E 2 bilhões de pessoas vão migrar para outros empregos ou para um novo emprego que ainda será criado. Fábio destacou também, no início do painel, que outra mudança importante que ocorreu na sociedade é que as pessoas deixaram o patamar de apenas consumidores para também produtores de informação. “Isso era inimaginável há cerca de 20 anos. A tecnologia foi se popularizando, barateando e mais pessoas foram tendo acesso a computadores e celulares. Junto, veio a popularização da internet”, apontou. Ele também destacou a força que as redes sociais assumiram atualmente.

Automação

Segundo o painelista, 51% das tarefas podem ser automatizadas em algum nível hoje em dia. Mas menos de 5% delas poderiam ser totalmente substituídas por máquinas. Isso quer dizer, explica Fábio, que o número de empregos não diminuiu com a automatização, mas provoca uma mudança na forma como as atividades são desenvolvidas. “Os bots, diminutivo de robôs, estão por todos os lugares. Apps realizarão tarefas que demandam interação, porque entendem contextos e estão agindo como humanos agiriam. A Amazon usa 30 mil robôs nos seus depósitos globais para substituir o trabalho humano em lugares insalubres, e isso proporciona uma economia de 2,5 bilhões de dólares.


Mas todo bot é pensado e desenvolvido por engenheiros e outras pessoas que estudaram para isso”, exemplificou, ao explicar que o trabalho humano não é descartado, mas otimizado para processos mais complexos. Ele também trouxe o exemplo da machine learning. Usando dados e informações de pacientes, a máquina, que processa tudo muito rápido, é capaz de emitir diagnósticos como câncer ou detectar probabilidade de uma pessoa ter ou não um ataque cardíaco. “A máquina não aprende sozinha, há médicos, pesquisadores e estudiosos que ensinam ela a pensar”, reiterou.


Embora todas as mudanças que já estão acontecendo e que ainda estão por vir no mercado de trabalho, ele questiona como as empresas estão pensando as pessoas. E enfatiza que alguns empregos serão irrelevantes, mas que a bagagem que a pessoa tem não deveria ser descartada, mas reaproveitada de outra forma, inclusive melhor.


Fábio explicou que as soft skills são, atualmente, a principal causa de contratação ou demissão das empresas. E de desempate em uma entrevista de emprego. Há muitas pessoas tecnicamente perfeitas, segundo ele, mas sem condições de atuar em um ambiente de trabalho porque não têm soft skills. “Quem vai fazer diferença para o mundo serão as pessoas com soft skills. O robô não sabe fazer isso. O computador faz sempre a mesma coisa. Não tem criatividade. Não é persuasivo, não tem a capacidade de se comunicar, de trazer argumentos”, salientou o painelista.


Outra característica importante do profissional do futuro é saber gerir seu tempo. “Há uma série de formas de se fazer isso, como organizar melhor a rotina de trabalho para realizar mais coisas em menos tempo. As pessoas estão se distraindo mais com coisas que no passado não existiam, como o celular. A inteligência emocional, a comunicação não violenta e a capacidade de reagir a acontecimentos inesperados também são levados em conta”, disse.

Efeitos da tecnologia na implantação de negócios

Os impactos da tecnologia no comportamento da população mundial e as adaptações necessárias para implantá-la nas empresas foram os fios condutores da oficina ministrada durante a tarde do dia 13 por Daniele Gonçalves de Souza, mestre em Gestão e Negócios e professora do IFSul. No workshop Tecnologias e Inovações para o Desenvolvimento de Negócios, realizado na sede da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL-NH), a palestrante apontou que, antes de serem adotadas, essas mudanças precisam ser analisadas com espírito crítico, especialmente porque novas alternativas vão se sobrepondo. “É preciso sempre buscar inovação e criar uma cultura para a mudança, para não haver ranço com as novidades”, declarou, lembrando as rejeições provocadas com o surgimento da televisão e dos telefones celulares.


Daniele indicou os itens indispensáveis para os novos negócios: vendas online, presença digital, infraestrutura compartilhada, entre outros. “Não preciso ser especialista em todos os setores da minha empresa. Quem faz melhor venda, quem faz melhor gestão de tecnologia pode ser contratado”, afirmou. Ela trouxe ainda o exemplo de parcerias de grandes varejistas, que estão vendendo produtos que não fazem parte de seu estoque. Essas mercadorias são entregues por outras empresas. “Os marketplaces são a mais nova tendência no comércio eletrônico e uma boa alternativa para quem pretende vender online, mas não quer arcar com os custos de desenvolver uma loja virtual”, informou, elencando Mercado Livre, OLX e, recentemente, Magazine Luiza.


A redução de custos, principal objetivo dos empresários, é um dos resultados mais evidentes para aqueles que optam por investir em tecnologia, conforme a professora. Ela elencou ainda uma série de outros itens que são positivamente impactados nas micro e pequenas empresas quando a inovação passa a ser adotada, tais como centralização e atualização de informações, identificação de riscos, automação de processos, redução do tempo de execução das tarefas, acesso a ferramentas e informações gerenciais 24 horas por dia a partir de qualquer dispositivo móvel, presença online para reforço da marca, atração, fidelização de clientes e aumento dos negócios.


De acordo com a palestrante, se a falta de recursos impossibilitar a introdução de novas tecnologias, o mínimo que a empresa deve fazer é investir em mídias sociais. “As pessoas passam muito mais tempo no celular do que conversando com outras pessoas. Desta forma, a empresa pelo menos estará um pouquinho mais perto do seu cliente”, concluiu. Além disso, trouxe exemplos de ferramentas e aplicativos gratuitos que podem ser utilizados para facilitar o dia a dia das empresas, otimizando resultados.


Entre eles estão Google Spreadsheets, versão do Google para o Excel, que pode ser integrado com outros aplicativos, como Agenda e Google Docs; Trello, que possibilita o gerenciamento de projetos em andamento; Tableau, que permite a visualização de dados e gráficos; e Soho, sistema de Customer Relationship Management (CRM) voltado para pequenas companhias que facilita o gerenciamento de todo o relacionamento com o cliente.


Para Daniele, atualmente o que as empresas têm de mais precioso não é o produto, mas o banco de dados. Com o objetivo de preservá-los, a palestrante recomendou mecanismos de proteção dessas informações, incluindo armazenamento na nuvem e bons antivírus.

Tecnologia e processos de cervejas artesanais

O aquecido mercado da cerveja artesanal foi tema de oficina ministrada pela engenheira química e professora da Uergs Cristiane Cassales Pibernat. A atividade foi realizada na CDL. Com o título Bioprocessos e biotecnologia na região: as cervejarias artesanais aquecem o mercado e o turismo, a técnica iniciou sua fala perpassando pela história da biotecnologia e apresentando exemplos da utilização, como na produção de ácido cítrico, penicilina e vitamina C (ácido ascórbico), entre outros. Ela explicou que, no dia a dia, a técnica é utilizada nos processos de purificação da água, decomposição de resíduos, novos medicamentos, alimentos para dietas de restrição, processados por meio de enzimas, e na criação de alimentos transgênicos. “No bioprocesso, o profissional tem a função de desenvolver os produtos e, posteriormente, de aumentar a escala para atender a população.”


Em relação ao mercado, apontou, o brasileiro é o terceiro do mundo, depois de China e Estados Unidos. Já o Rio Grande do Sul é o estado com maior número de fabricantes da bebida no Brasil, com 186 cervejarias registradas no Ministério da Agricultura. Em 2018, foi sancionada a Lei Estadual nº 15.098/2018, que cria a Região das Cervejarias Artesanais no RS. O caminho engloba 22 municípios, integrando aqueles que compõem a Rota Romântica. “Hoje, 479 municípios brasileiros têm fábricas de cerveja artesanal, sem contar as cervejarias ciganas (aquelas que locam espaço e equipamentos de outras fábricas para produzir). Mesmo assim, há uma estimativa de crescimento de 30% ao ano nesse mercado”, enfatizou.


Na sequência, a engenheira falou sobre o processo de produção e como as micro e pequenas cervejarias podem utilizar a academia para obter conhecimentos e ferramentas para qualificarem ainda mais seus produtos. Como exemplo, apresentou a pesquisa Influência da granulometria do malte na eficiência de produção do mosto cervejeiro, trabalho de conclusão apresentado por Tiago Schaumlöfel, acadêmico em Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia na universidade estadual. Citou também projeto do Sebrae-RS voltado à cadeia produtiva de alimentos e bebidas.


Ao final, ela instigou os participantes a pensarem como atender melhor seus clientes, como se relacionar com as demais empresas do segmento e também quais tecnologias poderiam usar em seus negócios. O diretor de Turismo de Novo Hamburgo, Deivid Schu, sugeriu utilizar o know-how das universidades também para a criação da Rota Cervejeira. Ele afirmou que o assunto voltou à pauta recentemente com a criação do Vale Germânico e que o estado pretende reunir os representantes dos municípios para que o caminho da cerveja artesanal possa sair do papel, movimentando a economia e o turismo de toda a região.

Visitação ao Hub One encerra evento sobre tecnologia

Os dois dias de painéis, palestras e oficinas com debates acerca de inovação e tecnologia culminaram em um tour de participantes do 2º Seminário de Desenvolvimento Econômico de Novo Hamburgo pelas dependências do Hub One, unidade do Feevale Techpark. A visitação foi guiada pelo coordenador do parque tecnológico Gustavo Piardi dos Santos. Além de mostrar as instalações e as empresas, ele explicou o funcionamento da estrutura, integrada à universidade com caráter multissetorial, e dos mecanismos de avaliação e validação de novos cursos.


Santos mencionou o lançamento de futuras graduações e pós-graduações, que passam por análise de viabilidade, realizada pelo Laboratório de Experiências Criativas (LABEx) por um período que pode se estender de dois a seis meses. Conforme ele, nesse processo algumas ideias se mostram inviáveis outras se transformam, como o caso de ofertas de cursos superiores que se tornaram de ensino técnico.


Em 2019, foram 10 cursos que passaram por essa análise no LABEx, segundo Gustavo, sendo que o lançamento de um deles, na área de inovação, se dará no começo de 2020.


Acompanhado de outros participantes do seminário, o presidente da Cofin, vereador Enio Brizola, indagou Gustavo sobre a possibilidade de criação de um curso de Economia e Desenvolvimento Econômico ou a absorção dessa temática de forma intersetorial. “Muito possivelmente esse conteúdo interagirá com vários cursos”, respondeu, explicando que a instituição oferece o Feevale Way, com base em modelos finlandeses de educação, alternativa na qual o interessado customiza o seu currículo. “Os alunos passarão mais por aqui. Visitas nós já fazemos bastante. Só esse ano atendemos mais de dois mil alunos. Quando a gente fala nessa interação, serão disciplinas que ocorrerão integralmente aqui”, comentou.

O seminário

O 2º Seminário de Desenvolvimento Econômico de Novo Hamburgo foi organizado no sentido de retomar e aprofundar o debate sobre novas alternativas de crescimento e a cidade que se almeja para os próximos anos. Pautado pela ideia da inovação e empreendedorismo rumo à nova economia, o evento, promovido pela Câmara, por meio da Comissão de Finanças (Cofin) e da Escola do Legislativo, contou mais uma vez com a participação de um leque de instituições parceiras.


Com mais de uma dezena de encontros preparatórios realizados, o grupo de organizadores é formado também pela Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom e Estância Velha (ACI-NH/CB/EV); Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal); Comitê de Governança Empreendedora de Novo Hamburgo (Avança Novo Hamburgo); Câmara de Dirigentes Lojistas de Novo Hamburgo (CDL-NH); Conselho Regional de Desenvolvimento do Vale do Rio dos Sinos (Consinos); Fundação Escola Técnica Liberato Salzano Vieira da Cunha; Instituto Brasileiro de Tecnologia do Couro, Calçado e Artefatos (IBTeC); Instituição Evangélica de Novo Hamburgo (IENH); Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-riograndense (IFSul); Prefeitura de Novo Hamburgo; Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae); Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs) e Universidade Feevale.

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