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Encontro ABQTIC leva informação aos associados


O XXIII Encontro Nacional ABQTIC realizado no último dia 7 de novembro, na Escola de Curtimento do Instituto Senai de Tecnologia em Couro e Meio Ambiente, em Estância Velha/RS, apresentou novos conhecimentos sobre tecnologia e sustentabilidade para o segmento do couro e culminou com a eleição dos novos gestores da Associação Brasileira dos Químicos e Técnicos da Indústria do Couro (ABQTIC) para o próximo biênio.

Formato inovador

O primeiro palestrante foi o gerente executivo de Administração Estratégica de Vendas, Jorge Castilho, que apresentou o couro sustentável Kind Leather. Desenvolvido pela JBS após mais de dois anos de pesquisa e desenvolvimento, o material chega com a proposta de revolucionar o mercado ao mudar a maneira como o couro é produzido e distribuído. A ideia é oferecer a matéria-prima couro em um formato mais eficiente e inovador, com uma série de benefícios ambientais, sociais e econômicos relevantes por meio do uso inteligente da matéria-prima e de recursos. “Um dos pontos-chave deste projeto é oferecer a matéria-prima já cortada em formato retangular. Isso facilita o trabalho e aumenta a produtividade da indústria de transformação, além de aproveitarmos os recursos oriundos das sobras enquanto eles ainda têm valor, inclusive para outros setores, como o de alimentação cosméticos e saúde”, contextualiza Jorge.


Além disso, o Kind Leather conta com um programa de rastreabilidade completo, que reúne dados referentes a todas as etapas do processo produtivo do couro, desde a origem na fazenda até o produto final.

Automação industrial

Em seguida foi a vez do diretor da NBN Automação Industrial, André Nodari, falar. Ele lembrou que hoje se tem muito mais controle de processos a partir de tecnologias que revelam dados estatísticos em tempo real sobre todas as etapas da linha de produção. “As máquinas estão mais complexas, conversam entre si e tomam decisões para corrigir ou até mesmo evitar que algum erro aconteça. Eliminam postos de trabalho mais básicos enquanto oferecem oportunidades para a mão de obra mais qualificada”, pontuou.


O palestrante citou que a Inteligência Artificial nas máquinas trazem outros benefícios como reduzir desperdícios, neutralizar tarefas perigosas ao operador, e gerar dados reais sobre a performance do trabalho em cada etapa ao longo de todo o processo, compartilhando essas informações com todo o sistema de controle. “Hoje, através do acesso remoto, se pode prestar uma assessoria técnica a um cliente na Ásia sem sair da empresa”, exemplificou, comentando depois sobre o sistema Smarttan, um software desenvolvido pela NBN que funciona como o cérebro dos processos automatizados no fulão. Ele cria, administra e executa as receitas, comandando todos os equipamentos utilizados nos processos - dosadores de água, de produtos químicos e controladores de fulão - e promovendo a interface com os sistemas de gestão (ERP’s).

Reuso das sobras do couro

O diretor de marketing Thiago Stella apresentou o caso da Ilsa, que desenvolve especialidades biotecnológicas para a nutrição vegetal usando tecnologias como a hidrólise térmica e a hidrólise enzimática em sobras de couro para a produção de matérias-primas usadas na fabricação de fertilizantes e estimulantes naturais. Para o desenvolvimento de soluções cada vez mais eficientes, a Ilsa realiza estudos científicos sobre como seus produtos interagem nas diferentes condições de solo, clima, tipo de lavoura e plantio no Brasil, gerando segurança e informação ao produtor e ao mercado. “A indústria coureiro-calçadista gera a cada ano 200 mil toneladas de resíduos com risco de contaminação ambiental, e grande parte desse montante é estocada em aterros sanitários. Mas um percentual desse material é rico em colágeno e nitrogênio. A empresa então adquire essa matéria-prima que, após passar por tratamento adequado, se transforma em fertilizantes e estimulantes usados no plantio de diversas culturas.”


A indústria do couro trabalha no sentido de evitar a decomposição do material para que possa servir de matéria-prima em calçados, artefatos, carros e móveis, já a Ilsa faz o trabalho reverso transformando novamente essas sobras em material orgânico para o uso na agricultura”, sintetiza o palestrante. Reforçando que destinar as sobras a aterros é um desperdício de matéria-prima e de nitrogênio, e que é uma carência do solo Brasileiro. “Com o aumento do rigor das legislações ambientais nós passamos a ser uma solução para este passivo ambiental, que é uma preocupação para a cadeia do couro”, concluiu.

Caracterização e desenvolvimento de produto para engraxe

O coordenador de produto e tecnologia da Buckman, Henrique Pinto, apresentou um estudo realizado com o objetivo de caracterizar e desenvolver um produto para o engraxe do couro, que fosse ecologicamente sustentável, derivante da cadeia de suprimentos de biocombustíveis, e ao mesmo tempo pudesse ser lançado no mercado a um preço competitivo.


O material usado nesta experiência foi o glicerol, um subproduto do biodiesel, aplicado em diferentes formulações, sendo que os ensaios se realizaram em diferentes etapas - ensaios em bancada, testes em laboratório e ensaios de campo, pois era necessário determinar quais seriam os agentes usados para a melhor formulação. Como um modelo matemático não foi sufi ciente para estabelecer com precisão quais seriam os parâmetros mais corretos, foi preciso utilizar um software.


“Selecionamos as melhores opções que o software produziu, realizamos novos ensaios em laboratórios utilizando peles reais, e fomos comparando as referências como performance e custos a partir das variações registradas ao longo do processo. De posse dos resultados, fomos a campo procurando um curtume interessado em ser parceiro deste projeto.”


Os resultados apontaram dois agentes como sendo os melhores para solubilizar o sebo. “O software de simulação foi uma ferramenta muito eficiente para reduzir o tempo da pesquisa, os custos, e os resultados não foram estranhos, mostrando que os derivados de glicerina são componentes viáveis em formulação de tensoativo para o processamento do couro, mas o efeito de remoção da gordura foi impressionante. Dentre os benefícios, mais segurança para operador e menos consumo da água”, concluiu.

Eleição da nova gestão

Para finalizar, aconteceu a eleição para a gestão da ABQTIC no próximo biênio (2020/21). A presidência fica com Celso Ricardo Schwingel e a vice-presidência com Nilton Rodrigues da Rosa, que foram eleitos por aclamação. A posse oficial será realizada no próximo dia 13 de Fevereiro, data prevista para a primeira reunião da entidade em 2020.

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