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Empresas apresentam casos de gestão das substâncias restritas


No dia 27 de maio, o vice-presidente do Instituto Brasileiro de Tecnologia do Couro, Calçado e Artefatos (IBTeC), Dr. Valdir Soldi, coordenou o Happy Hour com Tecnologia, realizado no formato de live, com o objetivo de discutir a sustentabilidade no tocante às substâncias restritas como um fator importante e decisivo para a exportação do calçado brasileiro. Soldi apresentou a estrutura do instituto para atender os associados e clientes na certificação de produtos livres de substâncias restritas, de acordo com a legislação de cada país que compra os produtos brasileiros. E também falou sobre o trabalho do IBTeC, que atua sempre com o objetivo de atender às necessidades das empresas. Além de fazer o desenvolvimento dos testes, o instituto aprofundou seu conhecimento nesta área, com o objetivo de trabalhar a conformidade dos fornecedores, para que os fabricantes de calçados possam atender às exigências dos países que compram seus produtos.


Só em 2019, o laboratório realizou 13.500 testes em materiais utilizados em calçados. Os produtos que tiveram maiores índices de reprovação foram o níquel com 20%, ftalatos com 6%, chumbo com 5% e cromo VI com 3%. Ou seja, o dia a dia do laboratório mostra que ainda há adequações para serem feitas nos produtos que buscam o mercado externo. O aspecto positivo destes dados está no fato de que com a orientação do IBTeC, estes fabricantes puderam fazer as adequações necessárias para que seus produtos pudessem entrar nestes mercados. Com acreditação dos maiores laboratórios de controle de qualidade, o laboratório do IBTeC oferece como garantia a chancela de instituições como o instituto inglês Satra, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), a Rede Metrológica, a agência americana CPSC e o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e tecnologia (Inmetro), passando por auditorias que asseguram a conformidade dos equipamentos e da sistemática da instituição. Os resultados das avaliações feitas no laboratório do IBTeC colocam a instituição em pé de igualdade com os maiores laboratórios do mundo.


PVC Sul

A desenvolvedora de produtos Mônica Debarba começou sua fala sobre a experiência da PVC Sul afirmando que os clientes chegam à empresa sem conhecimento das listas de substâncias restritas e o que cada país exige, e como fornecedora de compostos, a PVC Sul acaba auxiliando o cliente na busca de soluções que atendam especificamente cada mercado.


A PVC Sul é fabricante de compostos de PVC, sendo a indústria de calçados responsável pela maior fatia da participação de mercado da empresa que está inserida na região do calçado. A questão das substâncias restritas faz parte da realidade da empresa desde 2007, quando a questão foi efetivamente cobrada e a empresa começou a se adequar e a testar seus produtos e ter material que atenda às especificações. De lá pra cá viu no Brasil o desenvolvimento do assunto. “Hoje, o tema substância restrita e sustentabilidade estão intrínsecos.”


O que aconteceu com o regramento de alguns mercados foi que surgiram plastificantes de origem vegetal, bioderivados, e não petroderivados, que era só o que se tinha até então. Para o PVC, a questão da compatibilidade de materiais é fundamental, o que gerou um pouco de dúvida no começo, porque migração é o tema mais temido no PVC. Então, foi necessário um trabalho de adequação e de aceitação destes produtos. Uma empresa brasileira teve concessão de patente para exploração de óleos vegetais derivados de soja para plásticos, uma valorização de produtos feitos aqui, com tecnologia brasileira, no mercado de PVC. Depois de muitos testes, para garantir a confiabilidade, este produto acabou se transformando em um referencial para a PVC Sul como uma empresa que já estava trabalhando a questão. “Nós não usamos metal pesado há muito tempo, e vivemos uma tendência de que no futuro se deixe de usar ftalato. Na PVC Sul a gente já opta por não usar, porque temos matérias-primas de origem vegetal que são muito nobres, e trazem esta sustentabilidade, e então a tendência é este tipo de produto”.


“O que a gente vê agora é uma tendência muito grande para materiais sustentáveis. Tanto que já faz parte das fichas técnicas de apresentação dos produtos a informação com o percentual de matérias-primas de origem renovável que tem nos materiais. O consumidor final está perguntando”, afirma. Mônica lembra que há movimentos mundiais, como o Fashion Revolution, que aconteceu no mês de abril deste ano. Até agora eles estavam focados em responder à pergunta “quem fez minhas roupas ou meu calçado”, e agora eles estão focados em responder “do que são feitos os calçados, a bolsa e as roupas que vou consumir”. Informou que a PVC Sul prioriza estas formulações com óleos vegetais, com fabricação nacional de três ou quatro empresas com produtos de excelência, e sempre tem novidades e produtos melhores sendo apresentados ao mercado, com mais compatibilidade, para aplicações mais críticas, que têm mais exigências quanto à performance. Então, este é um mercado muito dinâmico e que tende a crescer.


“A PVC Sul dá muito valor aos produtos sustentáveis e, além destas linhas com percentuais de até 80% de renováveis em sua formulação, estamos trabalhando sempre para buscar alternativas para aumentar estes valores, e trazer mais sustentabilidade aos materiais”, afirmou a representante da indústria.


Mônica também falou sobre o lançamento feito no final de 2019, com a incorporação de fibras naturais brasileiras nos materiais. São três componentes diferentes: fibra de coco, do bagaço da cana-de-açúcar e fibra de bambu, em uma linha que a empresa chamou de Eco.


Grendene

O gerente de desenvolvimento sustentável da Grendene, Carlos André Carvalho, salientou a importância de que as indústrias tenham o conhecimento técnico para embasar suas tomadas de decisões, como neste caso, conhecer a lista de materiais restritos, conhecer as alternativas que a gente tem. Lembrou que hoje não se pode falar apenas em materiais sustentáveis, e sim em materiais de menor impacto ambiental.


Após ter elogiado a PVC Sul, que mudou suas matérias-primas de origem fóssil para materiais de origem renovável, falou sobre o trabalho dos fabricantes de calçados, que mudaram suas matérias-primas de origem animal para origem vegetal, também com a preocupação de tornar os produtos mais sustentáveis. Destacando que todas estas mudanças exigiram ciência e conhecimento, lembrou que para muitas questões ainda não há respostas, porque os problemas são complexos, uma vez que mudanças precisam de pesquisa e muita análise, experimentações, antes de serem colocadas em prática.


A Grendene é a responsável pela produção de marcas conhecidas, como Melissa, Rider, Cartago, Ipanema, Zaxy, entre outras. Com quase 50 anos de existência, a empresa se define como uma indústria que produz e comercializa seus produtos de forma responsável e justa. A visão da empresa sobre sustentabilidade é a partir da dinâmica, além do conceito. “Tem muita coisa que a gente vai ter que pensar, experimentar, investigar, explorar, para chegar a um resultado. São questões muito complexas para resolver, e isto se vai conseguir com ciência e bom senso”, disse Carlos, sugerindo que é preciso transparência mostrando as informações com a disposição de se discutir sobre elas.


Na Grendene, a jornada da sustentabilidade foi colocada de uma forma mais ordenada em 2011, quando foi criado o Plano Estruturado de Desenvolvimento Sustentável da empresa. O trabalho iniciou de uma forma muito básica, com a criação de sistemas de monitoramento de resultados, controles, ações e projetos. Um dos indicadores mais importantes conquistados é a redução de 54% nos resíduos produzidos pelas unidades fabris da indústria. As medidas colocadas em prática também proporcionaram diminuir 13% no consumo de energia elétrica, conquista obtida a partir de adequações nos sistemas de fabricação. A Grendene também conseguiu em seis anos a redução do equivalente a 44 mil toneladas de emissão de carbono.


Uma medida bem simples, que envolveu todos os colaboradores, e que não estava ligada à produção, foi a Operação Prato Limpo, sensibilizando os cerca de 10 mil colaboradores que usavam os restaurantes internos da empresa, para evitar o desperdício de alimentos nos refeitórios. A redução chegou a ser de 214 toneladas no volume desperdiçado a partir desse trabalho de conscientização. Estes foram os resultados dos primeiros anos de ações dentro da empresa.


“Em 2019, a gente criou a Política de Desenvolvimento Sustentável, baseada nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), mirando em oito objetivos que tinham a ver com a gente, e definimos três pilares de atuação para a Grendene: valorização e respeito às pessoas, operações ecoeficientes, e produtos de menor impacto. No ano de 2019, a Grendene conscientizou e educou 2 mil crianças do ensino fundamental, nas unidades do Nordeste e Sul (a empresa tem seu centro administrativo na cidade de Farroupilha/RS e centros industriais no Nordeste, com fábricas no Ceará e na Bahia).


Os dois debatedores salientaram a importância do suporte técnico que o IBTeC oferece tanto aos fabricantes de componentes quanto de calçados, com orientações sobre as regras de cada continente e de cada país, e com as análises laboratoriais que certificam a conformidade dos materiais com as exigências especificas de cada mercado ao qual as indústrias querem se dedicar.


Para finalizar, chamaram a atenção mais uma vez para a importância de as marcas estarem atentas à sua imagem quanto à sustentabilidade ambiental, porque há uma tendência de que consumidores de todo o mundo estejam cada vez mais atentos para a questão. Mônica também salientou a tendência de valorização das coisas locais como um novo comportamento dos consumidores.


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