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Demanda urgente por máscaras e EPIs garantiu alívio financeiro


Se por um lado a pandemia da Covid-19 causou uma crise econômica, por outro, acelerou o mercado de máscaras e equipamentos de proteção individual.


Fábricas e produtores individuais viram na confecção desses itens uma oportunidade de ganhar fôlego com o aumento repentino da procura. Dados do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, o Senai, apontam que a produção nacional de máscaras e equipamentos de proteção, hoje, consegue suprir 80% da demanda. Antes da pandemia, esse percentual era de 20%. O restante vinha de fora. A busca foi tanta que o Senai, junto com a Confederação Nacional da Indústria, teve que capacitar quase 400 indústrias de Norte a Sul do País para que elas pudessem adaptar a linha de produção para o segmento de EPIs.


Foi o caso da empresária Olinda Sousa, dona de uma loja de lingeries em Fortaleza/CE. Ela conseguiu não só evitar demissões como teve um ganho de 10% na arrecadação com a produção de mais de 50 mil máscaras. “De início fiquei meio perdida. Pensei: ‘meu Deus, e agora? O que eu vou fazer?’. Não se podia trabalhar, mas aí falei ‘vou começar a produzir’. Vi nas reportagens que podíamos produzir máscaras de tecido”, relata.


No Ceará, a indústria têxtil é uma das mais fortes do País, e por isso a tendência de reconversão chama mais a atenção. Paulo André Holanda, diretor regional do Senai Ceará, explica como as indústrias do estado conseguiram se reerguer produzindo máscaras e EPIs. “No início, quem produziu foi o Senai, tudo gratuito. A gente reposicionou elas (as empresas), oferecendo mentoria e consultoria pra que pudessem produzir máscaras. Nesse início, foi doação, e agora entregamos para as empresas executarem. É um novo negócio pra elas”, contextualiza.


Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio, é responsável por um quarto de toda a indústria de moda íntima do Brasil, o que também facilitou a adaptação. A Federação das Indústrias do Rio de Janeiro criou videoaulas gratuitas pra incentivar o setor. A estimativa é que a produção mensal da região seja de 11 milhões de más- caras. E a conversão puxou também outros setores. O Cláudio Marquês, dono da uma empresa de moda esportiva na cidade, decidiu embarcar no segmento para sobreviver à crise: “Foi uma sensação de desespero, pois mudar a fábrica como nós mudamos foi assustador. Trabalhar no segmento de EPIs pra gente está sendo muito gratificante, um desafio e um aprendizado. Pretendemos colocar como um nicho a se seguir dentro da empresa”, diz.


Diante da reestruturação das indústrias, o setor já começa a pensar o momento pós-Covid-19. A aposta é que os investimentos em inovação feitos nesse período de pandemia garantam um legado e espaço para as fábricas no mercado internacional de máscaras e equipamentos de proteção.

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