Edição 310 - Jan/Fev 2019

Saúde e meio ambiente: a relação com as exportações de calçados

LEIA A EDIÇÃO COMPLETA

Em novembro de 2008, há 10 anos, portanto, o Instituto Brasileiro de Tecnologia do Couro, Calçado e Artefatos (IBTeC) inaugurou o Laboratório de Substâncias Restritivas. Desde então, passou a ser referência para todo o sistema coureiro-calçadista na gestão de substâncias que têm o seu uso restringido devido ao potencial risco que oferecem para a saúde humana ou ao meio ambiente. A partir dessa inauguração, o laboratório disponibiliza ao mercado uma série de ensaios que até então eram feitos no exterior, oferecendo suporte técnico às empresas que buscam ser mais competitivas adequando os seus produtos às regulamentações internacionais.

A iniciativa é resultado de um sonho iniciado em 2003, quando o instituto, que na época era presidido por Martinho Fleck, apresentou à Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) um projeto visando à aquisição de equipamentos, o preparo das instalações e a contratação e capacitação de pessoal técnico especializado para realizar análises em matérias-primas e produtos acabados. A intenção era detectar nos calçados e seus materiais componentes a presença de uma série de substâncias com o uso restringido em produtos, materiais e insumos comercializados no exterior, especialmente na Europa, na China e nos Estados Unidos. Essas normas e leis passaram também a ser usadas como barreiras técnicas para a entrada de produtos nos mercados, fato que colocou as indústrias brasileiras e as entidades setoriais em alerta ante o aumento das dificuldades geradas para as exportações dos produtos brasileiros, visto que no País ainda não se tinham normas correspondentes.

Em 2006, veio a aprovação dos recursos, através do Projeto Modernit, do Ministério da Ciência e Tecnologia, tendo como objetivo incentivar a modernização de laboratórios já instalados. Mas esse propósito só se tornou realidade porque teve mais gente que acreditou na ideia. Entre os motivadores, além do próprio ex-presidente Martinho, o pesquisador Sergio Knorr - um dos idealizadores do projeto - e a engenheira química Carmen Buffon, que no período coordenava os laboratórios de ensaios físico/mecânicos do instituto.

Ante a importância do tema para o setor, outras forças se somaram para que a ideia pudesse se concretizar em uma alternativa que de fato auxiliasse a indústria brasileira a melhorar o seu desempenho comercial no mercado global. Dessa forma, o IBTeC recebeu aporte financeiro também de quatro empresas de calçados - Beira Rio, Malu, Henrich e Wirth -, além do apoio de todas as entidades do setor. No total, foram aportados em torno de 1,3 milhão de reais em equipamentos e instalações e foram contratados novos bolsistas, o que possibilitou ao instituto passar a realizar ensaios não só para o setor coureiro-calçadista, mas para outros segmentos de mercado, como os de confecção, embalagem e brinquedos, que desde então também podem submeter seus produtos para análises quanto à determinação da presença ou não de várias substâncias e das quantidades utilizadas, quando for o caso.

A inauguração desse laboratório marcou o final do primeiro mandato do ex-presidente do IBTeC, Dr. Rui Guerreiro, que havia assumido a gestão em janeiro de 2006. Entre as principais vantagens para as indústrias brasileiras foram a redução dos custos e a agilidade no acesso aos resultados realizados por uma organização instalada aqui no Brasil e que possui reconhecimento mundial. Hoje, são realizados aproximadamente 150 diferentes ensaios, e todos os procedimentos são acreditados e reconhecidos pelos mais importantes órgãos em níveis nacional e global.


Edições Anteriores
310
Jan/Fev
2019
309
Nov/Dez
2018
308
Set/Out
2018
307
Jul/Ago
2018
306
Mai/Jun
2018
305
Mar/Abr
2018
304
Jan/Fev
2018
303
Nov/Dez
2017