Edição 296 - Set/Out 2016

Lugar da mulher é onde ela quiser

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Segundo a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), divulgada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, o número de mulheres com carteira de trabalho assinada no País quase dobrou em 2014 (21,4 milhões), em comparação com uma década atrás (em 2004 eram 12,5 milhões). O documento aponta, porém, que elas ocupam, em sua maioria, funções ainda interpretadas como femininas (no trabalho doméstico, por exemplo, representam 92% do total das pessoas empregadas, somando seis milhões de profissionais). Mas se por um lado, além dos afazeres domésticos, o trabalho da mulher está concentrado principalmente em segmentos como serviços, comércio, indústria de transformação e a administração pública, por outro, algumas barreiras vêm sendo quebradas e estão assumindo cada vez mais funções tradicionalmente associadas ao gênero masculino, como as fileiras militares, a mineração e a construção civil. A final de contas, lugar de mulher é onde ela quiser. De acordo com levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres preenchiam, em 2015, 9,8% do contingente da polícia militar brasileira, sendo que entre os policiais civis a presença delas foi ainda maior, chegando ao índice de 26,3%. 

Desigualdades ainda persistem 
Mas, conforme a coordenadora do Núcleo de Gênero do Ministério do Trabalho e Previdência Social, Rosane da Silva, quando a mulher ocupa uma função considerada da esfera do homem, independente do setor em que atua, está sujeita a enfrentar novos desafios, como discriminação e resistência, tendo que provar a cada instante a sua competência não apenas aos superiores, mas também perante colegas e até mesmo subordinados, sem esquecer o seu papel de dona de casa, esposa e mãe. "É um desafio e tanto, que demanda a criação de políticas públicas não só para estimular a presença feminina no mercado de trabalho, mas, principalmente, que signifique reconhecimento do valor e da competência da mulher, e que isso se traduza na ocupação de cargos em setores mais qualificados, que ainda lhes são pouco acessíveis", contextualiza. 

A resistência em valorizar o trabalho da figura feminina é cultural, a partir de um entendimento de que o homem deve ser o provedor do lar e, portanto, a mulher não precisa de dinheiro. A mulher sempre lutou contra este paradigma e hoje não existe mais um só reduto masculino que elas ainda não tenham conquistado. Porém, ao mesmo tempo em que essa inserção é um avanço, ela ainda vem associada a desigualdades - tanto com relação à qualidade das ocupações, formais ou informais, quanto à questão salarial, apesar de que, de acordo com a Constituição Federal, "todos são iguais perante a Lei". 

Um nicho de oportunidades
Entretanto não é somente com relação a cargos, salários e qualidade do trabalho que a mulher se preocupa. Outra demanda se refere aos equipamentos que vão lhe proporcionar segurança, proteção e conforto durante o trabalho. Esta questão traz oportunidades para os fabricantes de equipamentos de proteção individual (EPIs), que respondem à altura a este desafio de pensar nas necessidades e gostos deste público específico para o desenvolvimento, por exemplo, de calçados de segurança e ocupacionais. Além de proteger a usuária, devem apresentar diferenciais que os tornem mais atrativos ao ponto de se sentirem protegidas e bem apresentadas ao realizarem suas atividades profissionais.

Ao visualizar as tendências para calçados EPIs, é notório o esforço por parte dos fornecedores, que agregam novos materiais, cores e design, associando elementos de moda para trazer feminilidade aos equipamentos, sem relaxar com relação às propriedades funcionais, seguindo as normas técnicas para o setor. A Marluvas, por exemplo, desenvolveu novos modelos só para elas, com design exclusivo e solado projetado para os pés femininos. Segundo a empresa, tratam-se de calçados mais leves, confortáveis e resistentes para as profissionais fazerem bonito dentro e fora do trabalho.

A linha feminina Elegance foi projetada com design exclusivo em linhas suaves que se adaptam a todos os estilos e necessidades. O cabedal é confeccionado em couro nubuck leve e transpirável, disponível nas cores preto e azul, com opção de fechamento em cadarço com ganchos passadores em náilon rígido ou em fitas de náilon livres de metais. O solado apresenta tecnologia PU Bidensidade e design antiderrapante para garantir máxima segurança, estabilidade e amortecimento. Recebe ainda forração especial com reforço acolchoado para proteção e conforto, adequada para absorção e dessorção do suor.

Os números do setor de EPIs no Brasil
O diretor executivo da Associação Nacional da Indústria de Material de Segurança e Proteção ao Trabalho (Animaseg), Raul Casanova, destaca que o País tem uma população economicamente ativa de mais de 100 milhões de trabalhadores e o setor de EPIs fatura 4,5 bilhões de reais por ano, tendo potencial de duplicar este faturamento em poucos anos. Devido à sua dependência da situação econômica do País, este mercado foi atingido diretamente com a queda do emprego e com as restrições financeiras das empresas. 

Em recente levantamento realizado pela entidade, foi verificada uma redução média de 13% do volume de negócios em 2015, quando comparado a 2014. Entretanto, já é observada melhora na expectativa das empresas, que projetam crescer 4% em 2016, no comparativo com 2015. "Mesmo com a queda da economia brasileira, somos um setor com faturamento anual de 4,5 bilhões de reais e com potencial de duplicar este volume em poucos anos. Temos em nosso mercado empresas locais, multinacionais e importadores, bem como o acesso a toda tecnologia necessária para proteger adequadamente nossos trabalhadores", considera o executivo, que acredita que o Brasil precisa investir mais em educação, visando a melhorar a conscientização de que a prevenção é o melhor caminho e o de menor custo. 

Outros lançamentos em proteção às trabalhadoras
Em torno de 20% da produção de EPIs calçados da Arteflex são para o segmento feminino e uma parte desse percentual é elaborada em grade exclusivamente para atender tamanhos menores. "As mulheres são exigentes em relação ao design, buscam um calçado menos robusto, mais feminino e harmonioso com todo o visual da roupa, mesmo quando usam uniforme. Além disso, também exigem mais conforto, especialmente maciez e leveza". A consideração é do gerente de P&D da empresa, Deivis Fabiano Gonçalves, explicando que aspectos como estes são trabalhados na linha Femme.

Um produto mais leve e flexível exige materiais especiais e fôrma diferenciada, que agregam valor ao produto final, mas isso também implica em custos adicionais, que podem impactar em torno de 20% a 25% no preço final. "Ao investir em uma modelagem específica, que considera as diferenças da anatomia dos pés das mulheres, já sabíamos que haveria um diferencial em produto que se refletiria também no preço, mas apostamos que haveria público para isso e o mercado confirmou", aponta Gonçalves.

Houve avanços nos calçados Femme, que hoje apresenta modelos com o conceito Nanoflex para proporcionar ainda mais conforto, além da proteção. A Nanoflex é exclusividade Arteflex e oferece propriedades terapêuticas isoladas dentro de microcápsulas no tecido interno do calçado, que são liberadas gradativamente através do rompimento por fricção. As microcápsulas possuem elementos naturais, como óleos essenciais de melaleuca e bétula doce, que atuam como cicatrizante, analgésico e anti-inflamatório, e manteiga de cupuaçu, responsável pela hidratação.

Conforto - O coordenador de P&D, Josué Gonçalves Dias, conta que a BSB direciona em torno de 15% dos seus EPIs para mulheres. A linha Fujiwara Air, por exemplo, traz calçados de uso profissional, masculinos e femininos aumentando a segurança, a saúde e o bem-estar nos mais variados ambientes de trabalho. O público feminino, segundo Dias, se preocupa cada vez mais com os EPIs e busca por estética, conforto e bem-estar. "Houve uma evolução significativa nos calçados de segurança em conforto, leveza e design sem, contudo, deixar de lado o objetivo central que é garantir proteção ao usuário. Inclusive novas tecnologias permitem aumentar o nível de qualidade e eficiência em segurança", assegura.

A Fujiwara oferece uma diversidade de modelos, cartela de cores e soluções, cumprindo as respectivas normas técnicas e regulamentos de segurança. "Quanto mais inovações e tecnologias empregadas nos produtos, maior é o impacto no preço final, mas devemos ficar atentos em avanços significativos em qualidade e performance. A BSB compreende esta proposta e realiza uma série de investimentos nesta tendência", destaca.

Dias considera que, com tantas inovações, o calçado está deixando de ser visto como obrigatório e adquire outro status. "Na verdade é uma mudança conceitual na forma de pensar o calçado de segurança, que atende as normas de segurança, proporciona uma série de atributos que despertam o interesse de homens e mulheres e, consequentemente, estimula o uso voluntário", considera.


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